As mulheres estão cada vez mais presentes no mundo dos games. Segundo dados da Pesquisa Game Brasil, realizada em 2019, elas são o principal público dos "casual gamers" (pessoas que jogam como hobby, para passar o tempo apenas), com 58,8% do público. Entretanto, estão também, aos poucos, ganhando espaço no mundo dos eSports, jogando profissionalmente e ganhando dinheiro com games.
Uma dessas jogadoras é a bauruense Tainara Torres de Silos, a Nara. Após crescer na frente da tela do computador, ela joga Counter-Strike (CS) desde os 14 anos e se interessou pelo game devido a um grupo de amigas que praticava na escola, ainda na época do CS 1.6. Nara seguiu em frente na empreitada e foi conhecendo outras garotas que jogavam, estabelecendo que isso era o que gostaria de fazer em sua vida profissional.
A atleta foi treinando, conhecendo jogadoras e passando por diferentes times de CS:GO, versão mais recente do jogo, até receber a sua primeira proposta profissional, que foi do Santos, em 2018. Após passar pela New Eagles, Nara teve seu grande momento em julho de 2019: o convite para integrar a equipe da Black Dragons, uma das mais antigas equipes de eSports do cenário brasileiro, para ser a primeira equipe totalmente feminina a participar do Campeonato Brasileiro de CS (CBCS), competição masculina.
"O dono da Black Dragons chegou para mim e perguntou se a gente queria montar um time, que seria para disputar a CBCS. Seríamos o único time feminino, mas precisaríamos nos mudar para São Paulo para jogar o campeonato lá, que é toda semana. Eu e a Olga (companheira de time) podíamos, pensamos em nomes, montamos o time e fomos para São Paulo jogar a CBCS", detalha Nara.
JOGANDO CONTRA HOMENS
O time feminino da Black Dragons era composto por Tainara "nara" Torres, Olga "olga" Rodrigues, Amanda "AMD" Abreu, Ana Gabriela "ANABALA" Bochi e Amanda "Dinha" Gomez. As meninas moravam juntas na capital paulista e tinham uma rotina de treinos puxada de preparação para as competições, que começava às 14h e terminava às 22h. A primeira parte com treinos individuais, enquanto a segunda, na maioria, era composta de atividades com o time.
Como as atletas disputariam competição cujas equipes são formadas por homens, elas treinavam online contra times masculinos, apesar de praticar o jogo também contra mulheres. "Posso dizer que meio a meio porque alguns times masculinos não aceitavam jogar contra a gente. Então, jogávamos contra aqueles que já conhecíamos ou alguns outros que apareciam. Também contra times femininos para treinar e ver como estava nosso nível", revela Nara.
No CBCS, a Black Dragons acabou não tendo um bom desempenho e terminou em último lugar nos dois torneios que disputou. Para o segundo, houve uma substituição na equipe, com Amanda "AMD" Abreu dando lugar a Mariana "Marii" Lima.
Em março deste ano, a bauruense revelou pelas redes sociais sua saída do time. No entanto, ela já vem planejando o futuro. "Eu montei um time novo e já começamos a treinar. Vamos continuar treinando e jogando, pois tem vários campeonatos que queremos participar. Eu não vou parar de jogar CS, todo mundo sabe, então não foi uma novidade eu já ter anunciado um time novo de forma tão recente. Estamos sem organização no momento e falamos que estamos procurando. Mas devido ao coronavírus eles querem esperar passar para investir no cenário feminino", explica.