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Planalto vê provocação de Luiz Mandetta durante entrevista

Estadão Conteúdo
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Brasília - As últimas atitudes do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, elevaram a temperatura do confronto com o presidente Jair Bolsonaro e podem acelerar sua saída da equipe. O estopim da nova crise foi a entrevista dada por Mandetta ao Fantástico, da Rede Globo, na noite de domingo. O tom adotado pelo ministro foi considerado por militares do governo e por secretários estaduais da Saúde como uma "provocação" ao presidente.

Na ocasião, Mandetta afirmou que o governo carece de discurso unificado sobre o enfrentamento à pandemia e dirigiu cobranças a Bolsonaro, que tem ignorado recomendações de isolamento social e defendido o retorno ao trabalho. Nos bastidores, não apenas a ala ideológica do governo como até alguns apoiadores do titular da Saúde já acreditam que, com essa estratégia, ele força uma situação para sair do governo.

"O brasileiro não sabe se escuta o ministro da Saúde, o presidente, quem é que ele escuta", disse Mandetta ao Fantástico, um dia depois de Bolsonaro ter visitado, ao seu lado, um hospital de campanha, em construção, na cidade de Águas Lindas (GO). Mandetta também criticou o comportamento de quem tem quebrado a quarentena.

Questionado ontem sobre a cobrança de Mandetta, Bolsonaro desconversou. "Não assisto à Globo, tá ok? Vou perder tempo da minha vida assistindo à Globo agora?", disse ele, ao deixar o Palácio da Alvorada.

No Planalto, porém, não foi apenas a referência de Mandetta à "dubiedade" do governo que causou contrariedade. O fato de o ministro ter dado entrevista para a emissora vista como "inimiga" também foi classificado como afronta. Não passou despercebido, ainda, o local da gravação: o Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. O governador Ronaldo Caiado rompeu com Jair Bolsonaro, no mês passado.

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