Assim como ocorreu com a cloroquina, os medicamentos à base de nitazoxanida - comercializados em forma de um vermífugo intitulado Annita - passaram a ser alvo de uma verdadeira "corrida" nas farmácias de Bauru. A reportagem consultou oito estabelecimentos do tipo e a maioria confirma aumento expressivo da demanda. Nesta quarta-feira (15), o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, que é bauruense, divulgou uma pesquisa envolvendo a suposta eficácia da substância contra o novo coronavírus.
Das oito farmácias questionadas, situadas em diversos bairros da cidade, seis constataram que a procura pelo remédio subiu, mesmo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter proibido, nesta última quinta-feira (16), a venda sem prescrição médica especial.
Um dos estabelecimentos chegou a afirmar que a demanda já era grande, mas sofreu um salto expressivo depois do anúncio de Pontes. Outra farmácia informou o preço do medicamento: R$ 33,85.
Segundo o ministro, análises em células infectadas mostraram que a droga apresentou eficácia de 94%, além de ser de baixo custo e poucos efeitos colaterais.
Como faltavam ainda testes em pacientes, Pontes não divulgou o nome da substância. No entanto, no dia seguinte, a Anvisa incluiu a nitazoxanida na sua lista de remédios controlados.
Conforme informações do ministro, 500 pessoas internadas com a Covid-19 começarão a receber este e um segundo medicamento, em caráter experimental, nas próximas semanas.
Os pacientes, vinculados a sete hospitais das Forças Armadas (cinco no Rio de Janeiro, um em São Paulo e outro em Brasília), serão monitorados ao longo de 14 dias.
Marcos Pontes prevê a disponibilidade do tratamento para o grande público a partir de meados do próximo mês. "No máximo, até a metade de maio. Um remédio sem efeitos colaterais, [com estudo] desenvolvido pela pesquisa brasileira com todo o rigor científico", adianta.
40 CIENTISTAS
A pesquisa foi conduzida por uma equipe de 40 cientistas do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), vinculado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
De acordo com o governo, eles usaram uma estratégia chamada de "reposicionamento de fármacos". Ao todo, o grupo investigou 2 mil remédios conhecidos, em busca de moléculas capazes de inibir a reprodução do vírus.
Atualmente, não há qualquer medicamento com eficácia comprovada contra a Covid-19, como revelou um estudo da Universidade do Texas, feito a pedido da Associação Médica Americana (AMA).
A pesquisa revisou 109 testes clínicos já realizados com drogas em adultos infectados pelo novo coronavírus e concluiu que nenhum apresentou resultados sólidos.