O Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru e Região (SindSaúde) denunciou neste domingo (19), em suas redes sociais, a possibilidade de paralisação do serviço de hemodiálise do Hospital Estadual de Bauru (HE) de Bauru nas próximas 72 horas. Também em seu perfil oficial, a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) publicou uma nota de repúdio, descartando esta hipótese, posição reforçada pelo Estado. O Ministério Público visitou o local e também encontrou problemas.
Segundo o sindicato, o juiz da 4.ª Vara de Trabalho de Bauru foi comunicado pela entidade sobre a possibilidade de interrupção do serviço por conta do risco de contaminação de pacientes e funcionários pelo novo coronavírus.
Ainda segundo o SindSaúde, dos 50 profissionais do Setor de Hemodiálise do HE, 19 deles foram afastados por contaminação ou possível contaminação, sendo que seis já estão confirmados com Covid-19. “O Hospital Estadual não está tomando as precauções necessárias para a proteção dos pacientes e dos funcionários”, critica.
A entidade complementa que o hospital não está fornecendo os equipamentos de proteção necessários, conforme determinado em ação civil pública e indicação dos órgãos de saúde.
OUTRO LADO
Poucas horas após as denúncias do SindSaúde, a Famesp publicou, também nas redes sociais, uma nota de repúdio, na qual nega veemente que o serviço de hemodiálise será paralisado. “Além de divulgar inverdades, o sindicato usa recortes de informações para causar pânico na população e macular a imagem do HE de Bauru e da Famesp, numa atitude de cunho pessoal”.
A entidade destaca que a população, especialmente os grupos já mais fragilizados por apresentarem doenças de base, como é o caso dos pacientes renais crônicos, podem ficar tranquilos, porque o serviço não será paralisado.
“A equipe do Setor de Hemodiálise bem como todos os trabalhadores do hospital estão recebendo os equipamentos de proteção individual (EPI) no cumprimento rigoroso de notas técnicas da Anvisa e do Ministério da Saúde, que determinam o tipo de EPI a ser usado segundo o setor e risco de atuação de cada profissional”, pontua.
Na nota, a Famesp também fala sobre as medidas que estão sendo tomadas com servidores sintomáticos. “Todo trabalhador que apresenta síndrome gripal está sendo devidamente afastado para isolamento social. Por essa razão, contratações emergenciais vêm sendo anunciadas para que a assistência não seja comprometida e ao mesmo tempo pacientes e trabalhadores tenham a garantia da segurança de sua saúde”, finaliza a instituição.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde reforçou as informações publicadas pela Famesp. E, ainda diante da denúncia, um grupo de médicos infectologistas de Bauru redigiu uma carta aberta, repudiando as informações de que o serviço poderia parar e também negando tal possibilidade.
Outra autoridade que entrou na questão foi o promotor Enilson Komono. Ele vistoriou o Hospital Estadual e, em um vídeo divulgado pela assessoria de comunicação da prefeitura, afirma que nenhum problema foi detectado na unidade.