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Tiradentes e a necessária busca pelos ideais republicanos

Lourdes Feitosa
| Tempo de leitura: 2 min

O feriado de 21 de abril e de 15 de novembro foram determinados em 1890. Neste mesmo ano, no primeiro desfile em comemoração à Proclamação da República, o pintor positivista Décio Villares distribuiu uma litogravura que registrava um busto do Tiradentes, corda ao pescoço, ornado com a palma do martírio e os louros da vitória. Barba e cabelos longos, ar sereno e olhar no infinito. Era a própria representação de Jesus Cristo.

Mas a imagem mais consagrada deste personagem foi o quadro a óleo de Pedro Américo, feito em 1893, chamado Tiradentes Esquartejado, que mostra os pedaços do corpo sobre o cadafalso, como em um altar. Barbas e cabelos longos foram mantidos, mesmo sendo improvável para um condenado recluso por mais de 2 anos.

A análise do historiador José Murilo de Carvalho considera a construção de Tiradentes como mártir pela emergente república brasileira, um mineiro que participara da Inconfidência Mineira de 1789, enforcado em 21 de abril de 1792. Candidato ao posto, juntamente com Frei Caneca, grande nome da Inconfidência Pernambucana, de 1817, e da Confederação do Equador, de 1824, que foi fuzilado, pois nenhum soldado ousou enforcá-lo. Imaginar que algum deles concebia a ideia de um Brasil unificado e republicado seria extemporâneo e a escolha por Tiradentes, cem anos após a sua morte, fez mais sentido para aqueles que o relacionavam à região já considerada o centro político e econômico da época, o Sudeste brasileiro. Outros aspectos relevantes foram o fato de Tiradentes ter sido vítima da traição de Joaquim Silvério, tal como Jesus foi por Judas, e de sua origem mais humilde, plebeia e popular, outra semelhança entre eles.

A idealização da figura de Tiradentes foi a de um líder vítima de um sonho de participação, do desejo de uma república, que não dividia as pessoas e as classes sociais, mas, pelo contrário, irmanava todos em prol de objetivos comuns de liberdade, igualdade e fraternidade. Esta é a imagem ainda forte desta figura emblemática, embora leituras revisionistas como a de João Pinto Furtado reconecte Tiradentes ao seu tempo e aos valores que imperavam na sociedade estamental em que vivia. Interesse em negociar títulos nobiliárquicos, maior liberdade para negociar com Portugal e uma República que não ousava transpor as regiões de São Paulo e Rio de Janeiro, pensar em uma cidadania geral e no fim da escravidão e em um sistema minimamente representativo.

Refletir sobre o 21 de abril e os efetivos ideais republicanos de igualdade, liberdade e participação de todos deve ser mais do que um sonho, mas um compromisso de cada um de nós.

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