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Recuo


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Brasilia - O presidente Jair Bolsonaro foi alertado por militares do governo de que sua participação no ato de domingo (19), convocado para defender o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), não apenas causou repúdio - e tirou o foco do combate à pandemia do coronavírus - como expôs as Forças Armadas a situação constrangedora. Em várias reuniões a portas fechadas, militares pediram a Bolsonaro que recuasse e mudasse de tom.

No fim do dia, o ministro da Defesa, general Fernando de Azevedo e Silva, divulgou nota na qual destacava que as Forças Armadas trabalham com o propósito de "manter a paz e a estabilidade do País, sempre obedientes à Constituição Federal". Era o ato final de uma movimentação que começara no dia anterior. O presidente do Supremo, Dias Toffoli, telefonara no domingo mesmo para o ministro na tentativa de entender a nova crise. Na conversa, Tofolli se mostrou preocupado e disse que a presença de Bolsonaro em manifestação diante do QG do Exército, pregando intervenção militar, emitia um sinal "nefasto" e parecia alimentar uma escalada autoritária no País.

Naquele dia, em cima da caçamba de uma caminhonete, Bolsonaro havia dito que a época da "patifaria" chegara ao fim. "Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil", afirmou o presidente, na ocasião, em discurso inflamado. Azevedo procurou tranquilizar Toffoli, a quem já assessorou antes de ser ministro. Mesmo assim, levou a Bolsonaro a inquietação do comando da Corte e até do Congresso. Na prática, as cúpulas do Legislativo e do Supremo avaliam, nos bastidores, que não há mais conciliação possível com Bolsonaro.

Após ser alvo de fortes críticas, o presidente se reuniu com vários ministros do governo, e não só com os do núcleo militar. "Onde foi que eu errei?", perguntou.

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