Política

Prefeito e comércio retomam diálogo

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Clodoaldo Gazzetta voltou a se reunir com lideranças do comércio por meio de videoconferência. A reaproximação ocorreu no feriado desta terça-feira (21), cerca de cinco dias após desentendimentos entre o Executivo e representantes dos comerciantes. A volta do diálogo deve representar uma nova fase de ideias e negociações na tentativa de equalizar os efeitos econômicos da quarenta no município gerados pela Covid-19. Nesta quarta (22), a prefeitura publica novo decreto que deve estender a quarentena na cidade até maio.

Com pedidos mútuos de desculpas, tanto da parte de Gazzetta quanto do presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio), Walace Sampaio, a conversa, que também reuniu outras autoridades e lideranças (como Reinaldo Cafeo, da Acib), teve como tom a retomada de ideias e a explicação do Executivo sobre o embasamento legal que o impediria de estabelecer a reabertura gradual do comércio e serviços agora.

Gazzetta voltou a falar que o município não pode adotar medidas mais flexíveis do que o proposto pelos governos federal e estadual, sob pena de ser interpelado pelo Ministério Público e ter que revogar decisões.

"Todos os municípios que tiveram liberações do comércio estão tendo que voltar atrás. Entendo os empresários. Aquilo que é possível e está dentro da lei temos encampado. Peço ajuda de todos, porque se ficarmos um jogando pedra no outro só perdermos", pontua Gazzetta. "Não é por amizade ou por ser do mesmo partido que o governador que eu estou seguindo isso ou aquilo. Estamos presos a uma legislação, que não permite que a gente flexibilize o que alguns segmentos ou prefeitos querem", acrescenta o prefeito.

Walace, por sua vez, reconheceu que houve falhas recíprocas. "O diálogo não se consolidou, apesar de inúmeras tentativas, mas eu não discuto passado, se estamos preocupados mesmo é com o amanhã. Na quinta (dia 16), quando eu tomei uma posição, fomos levados para campos opostos, eu reconheço isso e posso ter cometido alguns excessos", diz. Ele propôs uma nova conversa com Gazzetta como forma de "selar de vez a paz", antes da manhã do dia 23, na qual ele deve apresentar mais propostas ao Executivo.

DIVIDIDA

Ainda em videoconferência, os comerciantes voltaram a defender a venda com acesso controlado nas lojas. Gazzetta explicou que não é possível, mas prometeu estudar uma possibilidade da venda com as portas abaixadas e sem a entrada de clientes. Sérgio Antonio, secretário municipal de Saúde, também participou do diálogo e lembrou que a manipulação dos produtos seria um entrave. Ele foi rebatido por Walace, que comparou a situação com o enfrentando no interior de estabelecimentos essenciais abertos.

"Estranho, porque a manipulação de produtos já ocorre em supermercados e em uma densidade muito maior de consumidores do que poderia acontecer nas lojas", criticou o presidente do Sincomércio.

DRIVE NA NAÇÕES

Gazzetta propôs uma saída para o escoamento das vendas para o Dia das Mães, em caráter experimental. A ideia é montar um grande comércio com uso do sistema drive thru, em plena avenida Nações Unidas. As lojas montariam barracas e atenderiam os consumidores nos carros. Antes, contudo, o cliente teria que escolher o produto em uma plataforma online, elaborada pela prefeitura, que reuniria os principais itens de vendas.

Reinaldo Cafeo, da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) comparou a medida ao delivery adotado pelas lojas. "Isso o delivery já resolve. O problema tem sido a pessoa que quer comprar um sapato ou uma roupa e precisa pegar e provar", cita. Ele reforçou o acesso controlado nos estabelecimentos como a melhor opção.

Frente aos questionamentos, Gazzetta citou que o contexto adotado não só pelo Brasil, mas pelo mundo é de guerra. "É a lei federal que estabelece o que é essencial, a loja de roupa não é. Infelizmente, a prefeitura não tem o poder de definir o que é ou não essencial", observa.

A reunião durou quase duas horas e contou ainda com a presença da secretária do Desenvolvimento Aline Fogolin. Ela disse que a pasta tem se concentrado em levantar dados sobre os setores mais afetados para encontrar alternativas.

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