O tamanho da ação solidária que se faz no país aponta o tamanho da nossa pobreza e tão quanto é necessário e urgente uma política pública agressiva e perene de inclusão social. Não é absolutamente verdadeira a afirmação de que pandemia é democrática a ponto de nos tornar fragilmente iguais.
É bem claro que nem todos podem ficar em casa. Essas pessoas que diariamente são aplaudidas, e somente agora aplaudidas pelas principais emissoras de TV, desde de sempre foram mãos de obra exploradas sócio e economicamente ao longo da história.
A pandemia nós revela ainda o quanto o SUS foi atacado e desprezado, passando por um rigoroso processo de desmonte, evidenciado principalmente nos governos Temer-Bolsonaro. O primeiro, responsável pela Emenda Constitucional 95/2016, que instituiu o teto (limite máximo) de investimentos nas áreas da saúde e da educação para o período de 2018 a 2036 que, de acordo com a estimativa do Conselho Nacional de Saúde, vai gerar um prejuízo ao SUS de R$ 400 bilhões nesse período.
Já o governo atual propõe a desvinculação de recursos da União, estados e municípios que desobriga que os entes estaduais destinem 12% da Receita Corrente Líquida (RCL) para saúde e entes municipais 15%. Acometidos por uma grande comoção popular muitos acreditam que nos tornaremos melhores quando a pandemia se for.
Ledo engano. Nada muda se o sistema não mudar. Os trabalhadores não clamam por aplausos, precisam ser melhores remunerados e seus direitos recuperados e todo serviço público valorizado. O que será do país e do planeta após a Covid-19 não sabemos, mas o certo é que esse sistema não tem nada a nos oferecer, além de uma grande lesão social.