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O vírus, o isolamento e o comportamento

M. Caram Junior
| Tempo de leitura: 2 min

Já há quase quatro semanas dessa cansativa reclusão e ainda não sabemos como lidar exatamente com o momento. Como será depois? Quando será realmente o tão propalado pico? Quantas pessoas o corona ainda exterminará? Mas o silêncio do novo cotidiano nos induz a convicções tenebrosas de uma situação jamais vivenciada. Dos turbilhões de pensamentos que nos invadem decorre a certeza de que esse enigmático microorganismo ainda fará milhares de vítimas, sejam elas psíquicas, emocionais, financeiras e da própria doença. Quem será a próxima?

Em um mundo de tantas pesquisas, progressos virtuais, conquistas espaciais, inteligência artificial e comunicação digital, como explicar sermos reféns de algo invisível e ainda indecifrável capaz de abater implacavelmente a nossa espécie? Para que então tanto desenvolvimento, tecnologias bélicas, nucleares e riquezas acumuladas? Na verdade, fica claro que mesmo com toda a evolução científica contemporânea, a fragilidade humana é exatamente a mesma de 1918, quando a gripe espanhola matou entre 50 a 100 milhões de pessoas, ou de 1347, quando começou a peste bubônica (também conhecida por peste negra), responsável pelo extermínio de 1/3 da população europeia.

O mundo parou porque um microorganismo se alastrou pelo globo. O vocábulo globalização ganhou um novo sentido, nos dando muito mais a ideia de uma ruinosa pandemia ocasionada por um astuto vírus do que um termo afeto à comunicação, à economia e geopolítica. O que pensar das diferenças entre países ricos e pobres se agora todos estão na mesma nau, temerosos e ávidos pela vida?

Há que se indagar: para onde a raça humana caminha? Poder, domínio, crescimento e enriquecimento certamente não podem ser pretensões acertadas para a subsistência da nossa estúpida e frágil espécie. O jornalista italiano Domenico De Masi, citando Kennet Building, escreveu: "Quem acredita na possibilidade do crescimento infinito num mundo finito ou é louco ou é economista."

O caminho a partir dessa hecatombe viral seria prosperar uma mudança de paradigma entre as nações. Tomara, após essas semanas para muitas reflexões, a humanidade venha a se fortalecer, concluir pela sua insignificância e substituir muitos de seus valores.

Devemos todos dar as mãos para efetivamente mudar o itinerário humano, vencermos este e outros invisíveis seres que possam aparecer e, principalmente, procurarmos entender melhor e respeitarmos o meio ambiente para evitarmos desastres naturais que também há tempos se anunciam.

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