O Campeonato Paulista será retomado com uma série de cuidados para os jogadores e bem provavelmente sem a presença de torcida nos estádios. O diretor médico da Federação Paulista de Futebol (FPF), Moisés Cohen, não estipula prazos para a volta do torneio, mas revelou que a entidade vai divulgar em breve um protocolo de cuidados para os clubes retornarem aos trabalhos após o período mais crítico da pandemia do novo coronavírus. A cartilha de recomendações será redigida em conjunto com os médicos das equipes e vai contemplar detalhes sobre a rotina de treinamentos e até a possibilidade de os jogadores utilizarem máscaras nas atividades.
Cohen comenta sobre os cuidados necessários para os times voltarem aos treinos. "Estamos fazendo um protocolo de orientação da FPF para os clubes paulistas para a volta do campeonato. Este é objetivo. A única coisa que não sabemos é quando será esse retorno. Essa é a pergunta principal. Nós elaboramos alguns cuidados que vão desde a avaliação e os testes que deverão ser feitos antes dos jogadores se reapresentarem, depois uma nova bateria de testes durante essa fase e 15 dias depois mais um último teste", explica o médico.
Cohen afirma que a orientação será para se fazer um trabalho primeiro individual, depois grupo e na sequência, coletivo. "Tudo isso demandaria de 15 a 20 dias. Do momento em que eles retornarem, não teria campeonato dentro desses 15 a 20 dias. Temos de orientar também quem trabalha no clube, comissão técnica até o pessoal da manutenção. A orientação é que todos voltem com o número mínimo de funcionários possível e seguindo todos os cuidados dos órgãos governamentais: uso de máscaras, luvas para quem for utilizar alimentos", aponta.
O médico afirma que o uso de máscaras pelos atletas ainda está em análise. "É uma coisa para se discutir. No meu plano original, você teria de isolar as pessoas por 15 dias no mesmo lugar, como se fosse um regime de concentração utilizado para a Copa do Mundo, e cercado de cuidados de limpeza. Mas aí obviamente cada um tem a sua realidade. Tem clube não tem como abrigar os atletas no centro de treinamento ou os funcionários da cozinha não teriam como ficar confinados", declara.
"Um plano alternativo seria o atleta vir, usar máscara e ser muito bem orientado no sentido de voltar para casa e continuar com os mesmos cuidados para não ser um transmissor. A FPF não poderia se responsabilizar por isso. Nosso protocolo seria um guia de orientação. Mas não tem como vigiar se o atleta está seguindo, se é obediente, se não foi à noite em alguma festa com muita gente. Não tem como controlar. Isso fica como responsabilidade do atleta", avalia.
SEM PÚBLICO
Moisés Cohen também destaca que, a princípio, o jogos serão com os portões fechados. "Em um primeiro momento, com todos esses cuidados sendo tomados, será com portões fechados, sem sombra de dúvidas. Isso vale até segunda ordem. As informações de que tratamos são muito variáveis. O que é verdade hoje pode não ser a verdade daqui uma semana. Tudo muda muito rápido", conclui o médico da FPF.