Visando dar respaldo à rede pública de saúde durante um eventual pico da pandemia do novo coronavírus, em Bauru, o CoronaVida recriou o protótipo de um respirador destinado a pacientes de baixa complexidade, com base em um projeto desenvolvido pela Escola Politécnica (Poli/USP). Se passar pela aprovação dos órgãos sanitários, dos profissionais do setor e dos próprios usuários, o equipamento, cujo custo gira em torno de R$ 2,5 mil, poderá ser multiplicado e distribuído para diversas unidades do município.
Conforme a reportagem apurou, um voluntário do CoronaVida tomou a iniciativa de produzir o protótipo e o fez em apenas uma semana. Ele trabalha nesta área e não utilizou recursos provenientes de doações. Outra pessoa cedeu todo o valor necessário para a sua confecção.
O investimento, inclusive, é considerado de baixo custo, afinal, um ventilador convencional valia, aproximadamente, R$ 15 mil antes da pandemia, que provocou o aumento da demanda e, consequentemente, do preço.
O aparelho foi apresentado a dois profissionais do segmento: um fisioterapeuta e um técnico que já trabalha com este tipo de equipamento. Ambos aprovaram a iniciativa.
Agora, a parte mecânica passará por diversos testes. Em seguida, os pacientes da rede pública precisarão avaliar a eficiência do respirador. Os profissionais da saúde também deverão sentir segurança em utilizá-lo.
Por fim, a organização do CoronaVida dependerá da aprovação dos órgãos sanitários competentes. A Poli/USP já submeteu o projeto para análise.
RAPIDEZ
Segundo o Jornal da USP, o ventilador pulmonar emergencial fabricado por lá, o Inspire, chegou a ser confeccionado em duas horas e passou pelas etapas finais dos testes, inclusive, em humanos, seguindo os trâmites da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.
Além da rapidez da produção, o equipamento tem como principal vantagem o custo. De acordo com o periódico, ele pode atingir a casa dos R$ 1 mil. O projeto foi registrado com uma licença open source, que permite a qualquer pessoa ou empresa acessar o protocolo de manufatura e fabricá-lo.
Aqui em Bauru, caso tudo transcorra de maneira positiva, os responsáveis pelo CoronaVida estudarão a quantidade a ser produzida, além dos locais que receberão os aparelhos. Por ora, não há prazo para tanto.
Os respiradores deste tipo objetivam atender aos pacientes de baixa complexidade, ou seja, aqueles que chegam às unidades de saúde com falta de ar, mas apresentam uma condição física lúcida. Mesmo assim, alguns precisam de um apoio maior do que o da inalação.
Os aparelhos não são invasivos e trabalham com pressão. Pelos estudos, quem sente qualquer dificuldade respiratória tende a ter o seu quadro clínico agravado dentro de, no máximo, três dias, necessitando de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os respiradores elevam a probabilidade dos pacientes se recuperarem e receberem alta.