Economia & Negócios

Dólar dispara e ultrapassa R$ 5,50

FolhaPress
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São Paulo - O dólar disparou 2% e fechou cotado a R$ 5,5278 nesta quinta-feira (23), com o pedido de demissão do ministro Sergio Moro (Justiça). O turismo está a R$ 5,77 na venda. A notícia fez o mercado financeiro brasileiro descolar das principais Bolsas globais, levando o Ibovespa a uma queda de 1,26%, a 79.673 pontos.

Moro pediu demissão a Jair Bolsonaro nesta quinta, ao ser informado pelo presidente da decisão de trocar a diretoria-geral da Polícia Federal, hoje ocupada por Maurício Valeixo (leia na página 13). A instabilidade política levou o dólar ao segundo recorde nominal seguido. Em termos reais (corrigidos pela inflação), porém, a moeda ainda está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.

"Há uma incerteza sobre o que vai acontecer. O mercado tem estado mais otimista nos último dias, com a percepção de que a desvalorização foi exacerbada em março. Caso se confirme a demissão, o cenário pode ficar mais negativo", afirma Thomaz Fortes, gestor de fundos da Warren. Ele aponta que, assim como a saída do ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), a saída de Moro não interfere tanto no mercado financeiro, que preza mais pela equipe econômica de Paulo Guedes (Economia).

Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a cair 2,6%, mas reduziu o movimento de queda. "Como a demissão não está confirmada, o Ibovespa amenizou a desvalorização. Caso se confirme, devemos ver uma forte aversão ao risco", afirma Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos. "Com a saída de Moro, o governo perde força e ganha instabilidade. Ele, junto a Guedes e Bolsonaro, é um dos três pilares do governo. Com sua saída, o perfil do governo federal muda", diz Esteter.

Na quarta (22), a moeda americana ultrapassou os R$ 5,40 pela primeira vez com a expectativa de corte de 0,75 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), em 6 de maio, o que levaria a taxa básica de juros brasileiro a 3% ao ano.

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