Esportes

Tatame solidário

Luis Felipe Carrion
| Tempo de leitura: 3 min

Há cinco anos, o Projeto Caná oferece aulas de artes marciais, nas modalidades judô, luta livre e jiu-jítsu no Ferradura Mirim, um dos bairros da periferia da cidade. As aulas contemplam crianças carentes de 7 a 15 anos e atendem toda a comunidade bauruense, apesar da maioria dos alunos ser da região do Ferradura.

As aulas de artes marciais são ministradas por Vanderci Garcia, que é faixa preta de judô e jiu-jítsu e também praticou a luta olímpica ao longo da carreira. Em 2015, a coordenadora do Caná, Fulvia Goulart, inscreveu o projeto para ser contemplado em tatames e quimonos na Prefeitura Municipal. Assim, Garcia começou a dar aulas de judô. Inicialmente, as atividades durariam dez meses, mas foram efetivadas e, posteriormente, incluídas a luta olímpica e o jiu-jítsu.

"Eu, como árbitro de luta, acabo entendendo bem a movimentação e para ensinar isso para as crianças eu comecei a dar nome às posições de luta em animais, que é bem parecido. Assim, elas acabam entendendo mais. Pegando melhor do que os nomes em inglês. Aí, eu falo 'na posição tal'. Assim que aprendemos lá", explica.

As aulas vinham ocorrendo normalmente às segundas, quartas e sextas-feiras, com duas turmas de manhã e outras duas à tarde, até a chegada do novo coronavírus. No momento, o projeto está em compasso de espera até que a situação se normalize. 

Geralmente, é desenvolvido um dia de cada modalidade e todos os alunos praticam as mesmas artes marciais. "Quem faz luta faz as três modalidades e sabe distinguir uma da outra porque é diferente. Eu prezo bem isso. Você está lutando um negócio. Chegou no outro dia é outro tipo de luta, outro tipo de posição. Por exemplo, o judô não vale pegar na perna enquanto a luta olímpica vale. Então, é uma luta mais baixa. O judô é uma luta mais alta. Quando um aluno está lutando em pé na luta olímpica eu já falo 'não é judô'. As crianças estão interagindo bem", destaca.

FALTA DE RECURSOS

Devido ao baixo poder aquisitivo, os praticantes de artes marciais do Projeto Caná não têm oportunidades de disputar grandes eventos. Inclusive falta o material mais apropriado para prática da luta olímpica, como bota e malha. Em um festival que a equipe participou, as crianças foram com uniforme do próprio Projeto Caná e lutaram entre eles. Além disso, eles já participaram de festivais de judô e luta olímpica também.

"Os pais não têm condições financeiras e nós também não temos como levar as crianças. Tem que pagar as federações. Tem que bancar viagens. É sempre um trabalho árduo e você não tem volta. Não é para você ganhar dinheiro. Abraçar toda a criançada não dá", lamenta.

Garcia, entretanto, acabou encaminhando alguns alunos do Projeto Caná com potencial para treinarem no Sesi, que oferecesse treinamento de artes marciais. "Para os senseis Marco Dantas, Renata Pereira da Silva Schiaveto, Fernanda Assis, Omar Miquinioty, que são grandes amigos meus. Os cascudos estou empurrando para lá. Já tenho três alunos que estão treinando firme judô no Sesi", conta.

Serviço

Para saber sobre o projeto, ligue: (14) 9 9818-4270.

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