Tribuna do Leitor

O contraditório é edificante, nociva é a intransigência

Prof. José Amauri de Oliveira - Piratininga
| Tempo de leitura: 2 min

Não me peça desculpas, sr. Adalgizo, pois o seu "parecer" discordante não me desagrada. O contraditório é saudável desde que respeitoso. Aceito suas observações ainda que não as endosse. Os posicionamentos de uma pessoa são formados a partir das experiências que vivencia pois carregam as marcas de uma história de vida, de sua formação, seus embates, suas conquistas e seus percalços. Por isso devem ser considerados, nunca menosprezados.

Ressalto apenas alguns aspectos aos quais o senhor se referiu. O eixo principal do meu texto é a atual situação do nosso país assolado por essa pandemia provocada pelo covid-19, bem como a atuação do Estado brasileiro, e, especificamente de seu chefe, frente ao problema, ou seja, daquele que se espera uma postura equilibrada no comando de um trabalho cooperativo contra um inimigo comum: o coronavírus.

Não foi meu objetivo defender ou aplaudir editores, apontei apenas as referências bibliográficas. Nem defender veículos de comunicação, políticos e partidos políticos. Também não foi meu propósito alimentar discussões de caráter ideológico, como a velha e ultrapassada divisão entre esquerda e direita. Sr. Adalgizo, nada que o Senhor afirmou me afronta. O que me incomoda são aquelas pessoas que vivem se referindo a nazismo, socialismo, populismo, AI-5, direita, esquerda, comunismo, sem conhecimento de seus significados.

Discordo também das pessoas que ao participarem de manifestações de suas categorias, passam a defender também o fechamento do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal, a reedição do AI-5, um novo golpe militar. Acabam gerando um mistifório de difícil compreensão, onde se unem reivindicações de categorias ou setores da sociedade com propostas atentatórias à democracia.

Me entristece ao ver nos jornais notícias que tratam de pessoas que faleceram por falta de equipamentos e de leitos ou de profissionais da área da saúde que se infectaram trabalhando. Me revolta ainda o tratamento desrespeitoso com os mortos atingidos pela Covid-19 e os buzinaços em frente dos hospitais onde estão esses doentes estão morrendo.

Me causa repugnância quando o Presidente, inquirido sobre os mortos dessa pandemia, responde simplesmente: "Eu não sou coveiro". Me incomodam também as "'fake news'' nas redes sociais, as ações de robôs e grupos de WhatsApp, disseminando mentiras, informações carregadas de intolerâncias e manifestações odiosas para defender posicionamentos de certos políticos.

Minha repulsa é ainda contra aqueles que, em meio a tudo isso que está acontecendo hoje no país, estão mais preocupados com as próximas eleições. Não me peça desculpas, sr. Adalgizo, pois o contraditório enriquece nossas reflexões. Aconselho apenas a contrariar o sr. presidente da República num aspecto: continue com a sua quarentena em casa com a família.

Vamos aproveitar, enquanto podemos, e respirar o ar que sopra sobre nós nesta bela terra chamada Brasil.

Meus respeitosos cumprimentos.

 

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