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Entidades criticam demora na entrega de cestas básicas e se dispõem a ajudar

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Preocupadas com os impactos da quarentena nas comunidades que sempre precisaram de um olhar especial, entidades estão se disponibilizando para auxiliar as ações do Fundo Social de Solidariedade, em Bauru. Segundo algumas delas, há certa demora na entrega dos mantimentos arrecadados pelo órgão, o que tem complicado ainda mais a situação crítica das famílias carentes. O Fundo Social argumenta que, por conta do sigilo das informações dos atendidos, é complexo admitir novos voluntários.

Rose Lopes, líder da Casa da Sopa, que atende moradores das regiões Oeste e Noroeste de Bauru, além de Tibiriçá, explica que, caso tivessem acesso à listagem e mapeamento para entrega, poderiam agilizar o processo nos locais em que já atuam. "Temos voluntários com caminhões que podem carregar cerca de 100 cestas, isso auxiliaria muito na entrega. Se estivéssemos em dez caminhões, seriam entregues 1 mil cestas ao dia. Como temos parceria com o Alexandre Previdello, do Jardim Ouro Verde, sabemos que ele também se dispôs a auxiliar por lá", afirma.

A voluntária diz que já fez contato com os Centros de Referência da Assistência Social (Cras) de sua região para disponibilizar o voluntariado nas ações. "É importante que apresentem esse mapa para os tantos bons voluntários da cidade, com a autorização do Fundo Social de Solidariedade. Podemos somar com nosso conhecimento local das regiões que atendemos. Sem isso, fica difícil fazer um atendimento desta proporção em tão pouco tempo", salienta Rose.

DIFICULDADES

O presidente da Associação da Pousada da Esperança, Ricardo Alexandre Pereira, também deseja auxiliar na entrega dos alimentos à população que já ajuda, nas zonas Norte e Leste da cidade. "Em nenhum momento, chamaram as entidades para participar dessas atividades. Nós estamos aqui na Pousada 1 e 2, Vila São Paulo, Nova Bauru, Gasparini e Colina Verde. Além deles, tem a Quinta da Bela Olinda e o Jardim Ivone, que, apesar de não serem do nosso setor, estão em nosso entorno", diz. "Por conta do coronavírus, temos muito cuidado com a nossa comunidade. Aqui é diferente, porque a vulnerabilidade social é mais agravada e as comorbidades da população também", afirma.

De acordo com o líder da associação, uma ligação ao Cras para se cadastrar ou fazer o pedido de cesta básica não é algo tão simples para essa população. "Eles não conseguem andar coisa de 5 a 6 quilômetros da Pousada até o Cras mais próximo. Além disso, eles não têm crédito no celular, não têm telefone fixo para ligar e, muitos deles, não têm sequer seus documentos. Eu mesmo já tentei ligar diversas vezes e ninguém atende", afirma. "Tudo isso é uma realidade que vivemos aqui e, enquanto isso, a fome não espera", completa Ricardo.

SIGILO

Segundo informações obtidas junto ao Fundo Social de Solidariedade, com dificuldades para entrar em contato com o Cras, qualquer líder comunitário pode mandar uma lista para a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), com nome e endereço das famílias, para serem contempladas pelo projeto.

Segundo o órgão, há uma complexidade para admissão de novos voluntários porque a política da Assistência Social preconiza o sigilo às informações das famílias em vulnerabilidade social atendidas, em especial em ano eleitoral, como é 2020.

Ainda de acordo com o Fundo Social, até o momento, já foram entregues 2.282 cestas básicas com a contribuição da equipe da Sebes de Assistência Social e dos voluntários do SOS Global que têm se dedicado com afinco à causa e trabalhado incansavelmente. Deste número, 113 foram entregues nos bairros Pousada 1 e 2; 33 na Vila São Paulo; 111 no Parque Santa Cândida; e 35 na Vila Dutra, citados na reportagem.

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