Documentos vazados continuam a fazer estragos na imagem de alguns protagonistas do futebol. Um dos visados tem sido o próprio presidente da Fifa, o suíço Gianni Infantino, que voltou às manchetes. Isso porque o dirigente é suspeito de tentar interferir para interromper uma investigação realizada pela Justiça da Suíça.
O caso remonta a abril de 2016. Pouco depois de Infantino ter sido eleito para a presidência da Fifa, o gabinete do procurador-geral suíço iniciou investigação sobre a concessão de um contrato de direitos televisivos a uma empresa "offshore", quando o dirigente era o principal advogado da Uefa, organismo que comanda o futebol europeu.
Preocupado com este procedimento das autoridades - que já tinham realizado buscas na sede da Uefa, em Nyon, na Suíça -, Infantino escreveu ao procurador suíço Rinaldo Arnold, um antigo amigo de infância. "Vou tentar explicar ao OAG (procurador-geral) que é do meu interesse que tudo seja esclarecido o mais rapidamente possível e que seja afirmado claramente que não tenho nada a ver com esse assunto", referiu.
Em resposta, Arnold, que já tinha intermediado uma primeira reunião entre Infantino e o procurador-geral Michael Lauber, em março de 2016, prontificou-se novamente a acompanhar o presidente da Fifa. "O importante é a reunião daqui a duas semanas. Se quiser, posso ir contigo novamente". O encontro ocorreu em 22 de abril de 2016, em Zurique, e o que lá se passou permanece "um mistério".
OUTRO LADO
A Fifa, em comunicado oficial divulgado na noite de segunda-feira (27), afirmou que o conteúdo do e-mail particular de Infantino para "um amigo próximo" havia sido "completamente retirado do contexto com o único objetivo de enganar o leitor".
"Não apenas Infantino não tinha nenhum motivo para mentir nesse e-mail, mas esse e-mail nunca indicou que Infantino queria 'limpar seu nome'", acrescentou a nota oficial. Para o organismo, "é uma mentira clara e absoluta, cujo único objetivo era manchar a reputação de Infantino".