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Missão de limpar Bauru na quarentena

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Diariamente eles estão percorrendo ruas e avenidas com o objetivo de deixar Bauru livre dos resíduos orgânicos e seletivos durante a quarentena provocada pelo coronavírus. Os coletores de lixo e os motoristas são profissionais essenciais que não tiveram suas rotinas alteradas. Se por um lado diminuiu a quantidade de descarte no Centro e localidades que possuem comércio fechado, aumentou a produção orgânica nos bairros periféricos.

Para João Carlos Pereira da Silva, 29 anos, coletor na Emdurb há oito, o momento é de preocupação com a própria saúde, dos demais colegas coletores e a família. No caso dele, o esperam em casa todos os dias a esposa Rafaela, que segue trabalhando na profissão de cozinheira, e os dois filhos Luiz Gustavo e João Lucas, de 8 e 5 anos de idade.

"Nossa rotina mudou muito. Não tínhamos o hábito de tomar banho na firma. Agora a gente encerra o serviço, toma banho aqui e depois, ao chegar em casa, tomamos novamente. Tenho muito cuidado para não levar nada (doença) para casa, até porque temos contato com lixo diariamente. E procuro me manter sempre bem informado com as notícias da imprensa sobre o contágio", comenta João Carlos.

O coletor disse ainda que tem contado com a ajuda da sogra, que cuida de seus filhos durante o dia, devido à ausência de aulas escolares. "Vamos tentando viver. É um momento difícil e espero que passe rápido. Agora temos um novo desafio, de trabalhar usando máscaras. Todos sabemos que é difícil se adaptar, devido à nossa rotina na rua. É ruim para respirar quando a gente precisa correr. Mas vamos tentar nos adequar o máximo possível, para evitar essa doença", comenta João Carlos, que trabalha no setor Estoril e Higienópolis. 

'ME MACHUQUEI MUITO'

O servidor comenta que já se cortou várias vezes com itens descartados incorretamente. "Já me machuquei muito. Todos nós aqui, vez ou outra, nos machucamos. Eu já cortei as mãos e a perna algumas vezes, com caco de vidro. É terrível. Esse risco a gente corre todo dia, com ou sem quarentena", finaliza.

João Carlos revelou ainda ao JC que nenhum coletor de lixo apresentou qualquer sintoma de coronavírus e que os afastamentos, quando ocorrem, são por ferimentos de resíduos perfurocortantes.

300 TONELADAS

Segundo Nivaldo Peres, diretor interino de limpeza pública da Emdurb, caiu pela metade a quantidade de lixo recolhido na região central de Bauru, que antes da quarentena era entre oito a 10 toneladas e agora gira em torno de quatro a cinco. Essa diminuição não reflete nos resíduos totais. "Continuamos recolhendo uma média de 300 toneladas por dia. Houve uma diminuição nos setores de Centro e teve aumento da produção de lixo doméstico nos demais bairros. Isso não impactou na quantidade diária", esclarece Nivaldo.

A coleta em Bauru é dividida em 56 setores. Metade ocorre de segunda, quarta e sexta e a outra de terça, quinta e sábado.

MÁSCARAS E ÁLCOOL

A Emdurb distribuiu ontem novos equipamentos de proteção individual (EPIs) para coletores e motoristas. Até então eles não utilizavam máscaras. Os trabalhadores receberam o material na cor preta, em tecido com camada dupla. Novas luvas impermeáveis também foram distribuídas. Todos os caminhões de coleta contam com álcool em gel para uso dos trabalhadores. 

Segundo Nelson Augusto Neto, engenheiro de segurança da Emdurb, foram distribuídos 210 máscaras no primeiro lote. Depois haverá mais 100 unidades na segunda remessa que serão direcionadas para equipes que capinam e varrem as ruas.

TAREFA DIFÍCIL

Ainda de acordo com Nelson Augusto, a adaptação dos coletores ao uso da máscara no dia a dia, na rua, vai ser muito difícil.

 

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