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Angústia, rotina e isolamento

Claudia Zogheib
| Tempo de leitura: 2 min

De repente todas as coisas simples parecem anunciar um momento único que exprime a angústia coletiva que estamos vivendo.

Vivemos num mundo de rotina, aonde ir à padaria, ao mercado, a escola, ao trabalho nos faz ter a sensação de controle sobre a nossa vida, e quando nos vemos impossibilitados de viver estas pequenas rotinas, entramos em pânico. É como se a nossa vida tivesse sido roubada e sem sabermos por quanto tempo ficaremos assim, nos sentimos desamparados. A rotina é o chão que pisamos. Ela nos da sustentação ou pelo menos nos da à impressão de estarmos seguros. Assim, as atividades do dia-a-dia dão ao nosso Eu o sentimento de continuidade no tempo e no espaço que dão contornos ao nosso Eu.

Diante da realidade que estamos vivendo, passamos a nos dar conta do quanto estas "pequenas" atividades, são também atividade simbólicas, que nos avisa quem somos e como gostamos de viver. Antes desta pandemia sentíamos que pisávamos um chão seguro, mas agora, sentimos que o próximo passo pode ser um abismo, assim sentimos medo!

Ficamos diante da realidade de uma rotina que nos foi roubada. Por isto, diante desta realidade anunciada que estamos vivemos, é bom estabelecermos rotina e quando sentirmos medo, angústia ou outro sentimento, deveríamos pensar o quanto podemos dar nome a estes sentimentos, conversar com eles, e pensarmos que em níveis diferentes, de alguma forma já entramos em contato com eles. No processo psicoterápico eles nos aparecem com diversos nomes e só quem já passou por este processo de maneira profunda e verdadeira sabe exatamente que realidade e esta.

Outras coisas ajudam muito: meditação, viver um dia de cada vez, aproveitar esta quebra de rotina para fazer aquela yoga que tanto queríamos fazer, tocar aquele instrumento que sempre ficou como decoração em nossa casa, ler aquele livro que nunca pudemos ler cozinhar, escrever, dançar, enfim, ficar em família, mesmo que estejamos sós, pois estas atividades além de introduzir uma nova rotina, algumas deles fazem com que acalmemos o nosso coração!

O fato é: quando sentimos que não podemos escolher, muitas vezes entramos em pânico porque temos que entrar em contato com nós mesmos, e isto faz acordar aquela angústia, aquele medo, que já nos acompanhavam há tanto tempo, mas que muitas vezes pela correria do dia-a-dia não pudemos olhar para eles.

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