Brasília - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nomeou nesta terça-feira (28) o advogado André de Almeida Mendonça para o comando do Ministério da Justiça, na vaga deixada pelo ex-juiz federal Sergio Moro, que deixou o cargo na semana passada ao acusar o presidente de interferências na Polícia Federal. A nomeação de Mendonça foi publicada no "Diário Oficial da União", assim como a nomeação do delegado Alexandre Ramagem, amigo dos filhos do presidente, para o comando da Polícia Federal.
Para o lugar de Mendonça na Advocacia Geral da União (AGU), Bolsonaro oficializou o atual procurador-geral da Fazenda, José Levi do Amaral, nome apoiado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.
André Mendonça agradeceu, na manhã desta terça, pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro pela indicação ao cargo. Em mensagem no Twitter, o ex-advogado-geral da União destacou que continuará "desenvolvendo o trabalho técnico" que pauta sua conduta. "Conto com o apoio do povo brasileiro! Que Deus nos abençoe!", escreveu.
O novo ministro da Justiça, que também é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília, integrava a AGU desde 2000, quando encerrou sua atividade como advogado concursado da Petrobras (1997-2000). Ele foi corregedor da AGU na gestão de Fabio Medina Osório, no governo Michel Temer. Mendonça chegou ao governo Bolsonaro por indicação do ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Wagner Rosário, com o apoio da bancada evangélica.
A sua transferência para a Justiça teve o apoio da cúpula militar e a articulação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), José Dias Toffoli. A expectativa agora é a de que ele melhore a relação de Bolsonaro com o Poder Judiciário. A transferência de Mendonça fortalece a indicação de seu nome para uma das duas vagas a que Bolsonaro terá direito de preencher no STF. O presidente já disse que considera o ministro, a quem se referiu como "terrivelmente evangélico", a um dos postos.
Com a nomeação de Mendonça, a tendência é a de que Bolsonaro faça uma cisão no Ministério da Justiça e recrie a pasta da Segurança Pública. Neste caso, a expectativa de assessores do presidente é que ele nomeie o secretário de segurança pública do Distrito Federal, Anderson Oliveira, para a função. Anderson conta com o apoio do ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), amigo de Bolsonaro.
REPERCUSSÃO
A nomeação de André Mendonça para o cargo de ministro da Justiça repercutiu bem entre parlamentares evangélicos. Em nota, a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso felicitou "efusivamente a decisão do Senhor Presidente da República" e nomeá-lo para o cargo.
Uziel Santana, presidente da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) disse que "expectativa não é ter um ministro terrivelmente evangélico, mas um ministro que seja terrivelmente ministro, ou seja, alguém técnico".