O tratamento contra o câncer não pode parar, mesmo em tempos de pandemia. Os pacientes oncológicos precisam seguir as recomendações médicas com relação a consultas, exames, químio e radioterapia.
Os setores de Quimioterapia e Radioterapia do Hospital Unimed Bauru (HUB) continuam recebendo normalmente seus pacientes. E, para isso, reforçaram protocolos de atendimento, com medidas extras de segurança.
As médicas Nara Sahade Ortega (oncologista) e Tatiana Taba Fuzisaki Nakandakare (radio-oncologista) do HUB destacam que os fluxos de atendimento foram revistos.
Na Quimioterapia, por exemplo, a retirada de comprimidos é feita sem a necessidade de entrar no prédio. "O farmacêutico do setor faz todo o procedimento e leva até o paciente no estacionamento".
Na hormonioterapia, já está sendo entregue a dosagem para três meses de tratamento, para evitar novas idas ao hospital.
Quem faz a quimioterapia injetável e precisa comparecer ao setor está sendo monitorado antes. "Fazemos uma triagem por telefone no dia anterior ao procedimento verificando se ele ou alguém próximo teve sintomas gripais. Se a resposta for sim, avaliamos com o oncologista se ele precisa comparecer naquela data. Se sim, fará a químio em isolamento", explica Nara.
Os horários estão mais espaçados para não ter muitos pacientes na sala e é respeitada a distância de 1,5 metro entre eles.
A médica explica ainda que quem precisa de atendimento por intercorrências está sendo orientado a ir diretamente ao Setor de Quimioterapia para ser avaliado. "Mas, se for caso suspeito de Covid, o paciente precisa seguir o protocolo do hospital, na triagem especial", explica.
RADIOTERAPIA
Os pacientes que fazem radioterapia, normalmente, não são imunossuprimidos. Dessa forma, devem tomar as precauções normais para a Covid-19.
Já os pacientes que fazem quimioterapia concomitante à radioterapia precisam redobrar a atenção, já que são considerados de maior risco, assim como os portadores de cânceres hematológicos (leucemia, linfoma e mieloma múltiplo), os submetidos a transplante de medula óssea e os que usam medicações imunossupressoras (como aqueles que fizeram transplante renal ou de fígado, por exemplo).
Para esses pacientes, é reservado um horário especial na clínica, para que fiquem isolados. "Alteramos a agenda, espaçando mais os horários para que a limpeza na sala de tratamento seja mais rigorosa", destaca Tatiana.
A orientação é para que só venham com acompanhante as pessoas idosas ou debilitadas. "Até o nosso Sino da Vitória teve mudanças. Os pacientes que recebem alta são orientados a não comemorar com abraços e beijos, como fazíamos antes".
Alguns tratamentos, como para câncer de mama, por exemplo, estão sendo fracionados de maneira que seja diminuído o tempo de duração. "É o que chamamos de hipofracionamento. Usamos uma dose maior por dia, com menos dias de tratamento. Por exemplo, em vez de 25 dias úteis, podemos realizá-lo em 15 dias. Isso, claro, para pacientes aptos a fazer dessa forma", salienta Tatiana.