Aprendi que não se deve responder à ignorância, mas também fui ensinado a não se calar diante da estupidez. Seria quase surreal se a ignorância não campeasse no Brasil, mas triste e lamentavelmente ainda campeia e, a passos largos.
Assisti, estarrecido, dezenas de pessoas, sem máscara, não obedecendo à distância (no chão sinalizado), com filhos no colo, com crianças segurando pela mão, com cachorros de guarda, gritaria ao celular, latinha de cerveja marca "Pior Impossível" sendo levada ao beiço e embriagando à consciência parca.
E diante do quadro, o gerente da Caixa se multiplicando em educação, em elegância, em gentileza, em profissionalismo qualificado para atender, orientar, explicar a alguns ignorantes, obnubilados e muitos, até violentos, sem educação de berço, sobre o pagamento do Auxilio Emergencial.
Tivesse os asselvajados frequentado escola, ainda que fosse por pouco tempo, compreenderiam e ajudariam na real situação que vivenciamos, ao invés de gritar, ameaçar e por achismo impuser.
Assisti, além do jovem gerente educado, competente, orientando e explicando, sem deixar dúvida, como proceder para receber o Auxílio Emergencial, a estagiária solícita. Menina bonita, simpática, e, sobretudo preparada para a função.
"O sr. vai receber pelo número final de seu NIS". Disse a atendente em meio à multidão, alguns em desespero. "NIS o que é isso? Estou aqui há quase 40 minutos na fila e você vem me falar em NIS? Me paga logo essa merda aí, ou chamo a polícia", esbravejava o cara mal-encarado.
Como se a atendente tivesse poder para pagar. Como se o gerente tivesse poder para sacar o dinheiro da caixa e distribuir como farelo de pão aos lôbregos.