O guia médico da CBF para a volta gradual do futebol após a pandemia do novo coronavírus prevê uma série de atividades bem diferentes da realidade habitual da modalidade. O documento foi entregue ao Ministério da Saúde e agora aguarda aprovação. Se o texto original for mantido, os jogadores vão ter uma rotina bastante modificada com vestiários fechados, medição contínua da temperatura e até teste de olfato
O intitulado "Guia Médico de sugestões protetivas para o retorno às atividades do futebol brasileiro" tem 27 páginas. Fora o habitual cuidado de treinos em grupos separados, como já tem sido feito na Europa, o texto prevê uma bateria de testes para detectar a possível contaminação dos jogadores e observação dos sintomas.
Uma das passagens mais curiosas trata de um exame para verificar a possível perda de olfato, que é um dos impactos mais sentidos pelos infectados com a doença. O guia sugere que o jogador que relatar a falta de sensibilidade no cheiro deve passar por um procedimento em que uma porção de café será colocada a cerca de cinco centímetros de distância do rosto dele. Se ainda assim o atleta disser que não sente o cheiro, ele deverá ser encaminhado para um teste molecular mais detalhado.
Em outro trecho do guia, há a sugestão para o que os elencos sejam submetidos a testes imunológicos rápidos, 48 horas antes do início das atividades. Quem apresentar resultado negativo, estará liberado para treinar, porém vai continuar sob vigilância. No caso de quem testar positivo, será preciso permanecer distante dos demais colegas, só podendo voltar a treinar se permanecer sem sintomas durante três dias.
Clubes têm acompanhado as discussões sobre o material e, inclusive, aplicado parte das recomendações. O guia teve a elaboração da Comissão Nacional de Médicos da CBF, juntamente com médicos de clubes e da própria Seleção Brasileira. Para concluir o trabalho de estudo, a CBF entrou em contato na semana passada com uma sociedade médica científica com o objetivo de receber um aval sobre o guia.