Brasília - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), descartou nesta quinta (7) qualquer mudança na agenda política dos partidos do chamado centrão em virtude do apoio deles ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Nas últimas semanas, Bolsonaro, eleito com plataforma que pregava o fim da "velha política" de troca de cargos por apoio no Congresso, iniciou conversas com líderes do bloco, formado por siglas como PP, PL e Republicanos.
Em videoconferência com Ana Paula Vescovi, economista-chefe do banco Santander Brasil, Maia considerou válida a aproximação de Bolsonaro com o centrão para ajudar o governo a montar uma base de apoio a seus projetos no Legislativo. "Essa relação é sempre positiva, porque facilita o diálogo do governo com os outros parlamentares e com a Presidência da Câmara."
Maia, a seguir, descartou que a migração para a base do governo vá modificar as diretrizes políticas seguidas por esses partidos. "Não acho que esses partidos, os que estão no governo, os que não foram para o governo, como MDB, PSDB, DEM, PPS e Solidariedade, vão mudar sua agenda porque uma parte resolveu formar uma base do governo e a outra não", disse. "O importante é que todos continuam com a mesma agenda."
Sobre a mesa de negociações estão cargos de segundo e terceiro escalão da máquina federal, postos cobiçados por caciques partidários para manter seu grau de influência em Brasília e nos estados. Em troca, eles oferecem apoio para aprovar projetos do governo e, principalmente, evitar a abertura de um possível processo de impeachment contra Bolsonaro.
Gigantes do chamado centrão, como PP, PL e Republicanos, estão gerenciando a distribuição de cargos do governo federal para atrair partidos menores para a base de apoio de Bolsonaro.