A notícia de que a China bloqueou o envio de 500 dos 3 mil respiradores comprados pelo governo de São Paulo e limitou em 150 o número de cada tipo de mercadoria que poderá ser embarcada em aviões trouxe preocupação para o Estado e, também, para a região. Com a perspectiva de recebimento de um número de equipamentos criticamente menor do que o necessário e considerando que a Capital será priorizada, é grande a probabilidade de o Hospital Estadual (HE) de Bauru não receber qualquer aparelho no curto prazo.
Até esta sexta-feira (8), a Famesp contava com a destinação de 20 respiradores para Bauru, necessários para ampliar o número de leitos de UTI no HE. Agora, a previsão é de que o primeiro lote só desembarque no Brasil em 30 de maio (leia mais na página 13).
Enquanto o governador busca outros fornecedores, a Famesp prevê colocar em prática o plano estratégico já divulgado pelo JC. "Recebemos quatro respiradores do Tauste e temos outros dois de backup (reserva). Também teríamos condições de utilizar alguns respiradores de backup da Maternidade Santa Isabel", detalha o presidente da Famesp, Antonio Rugolo Junior.
Com os equipamentos, leitos clínicos de Covid-19 podem ser transformados em UTIs. Como último recurso, também poderia ser remanejada - respeitando a demanda - parte dos 11 leitos de UTI pediátrica do HE. Atualmente, apenas dois destes leitos estão ocupados por pacientes menores de 18 anos com suspeita de infecção por coronavírus.
"Embora todo leito de UTI conte com respirador, é importante destacar que nem todo paciente grave precisa do equipamento. De 70% a 80% é intubado. Então, há uma outra quantidade de respiradores disponível, que pode ser levada para uma outra área, se necessário", acrescenta. Se as estratégias forem esgotadas, a Prefeitura de Bauru pretende contratar 20 leitos de UTI na rede particular.
Nesta sexta, o HE contabilizava 89% dos leitos adultos de UTI ocupados (26 pacientes). Já na rede privada, somando os três hospitais (Unimed, Beneficência Portuguesa e São Francisco), havia três pacientes nas UTIs, em tratamento contra Covid-19.