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Fortaleza começa dia de regras mais rígidas com congestionamento

FolhaPress
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Fortaleza - A Capital cearense iniciou nesta sexta (8) o isolamento social mais rígido, com bloqueio de praças e parques, e interdição de faixas nas ruas. Entre as principais medidas estão o controle na entrada da cidade e nas principais avenidas, onde motoristas são parados para apresentar justificativas para estarem na rua. Pela manhã, houve congestionamento em algumas avenidas com os bloqueios montados. Num primeiro momento, policiais, guardas municipais e homens da Autarquia Municipal do Trânsito tem orientado as pessoas, principalmente ao uso da máscara, que desde quarta (6) é obrigatório em todo o estado.

Apesar do centro mais vazio na manhã desta sexta, além de calçadões e praias impedidas de uso, a preocupação da prefeitura é com as áreas mais periféricas, que insistiam em manter comércio não essencial aberto. A fiscalização nessas regiões será maior, segundo a prefeitura.

O decreto também prevê que pedestres sejam abordados - há liberação apenas para sair caso precisa trabalhar em algumas da áreas essenciais liberadas, para ir ao mercado ou farmácia e, claro, unidades de saúde. Há proibição de acesso às praias, calçadões, parques e praças.

A preocupação no Estado é com a lotação na rede hospitalar para pacientes que têm o quadro agravado da Covid-19. O Ceará, assim como Pernambuco, Rio de Janeiro, Amazonas e Roraima, estão com mais de 90% de ocupação de leitos de UTI.

O Ceará registra 966 mortos pela Covid-19, com 14.956 casos confirmados da doença. A maioria dos óbitos (741) ocorreu na capital, que registra 10.348.

Com o aumento de mortes, câmaras frigoríficas foram instaladas perto de unidades de saúde para armazenar corpos. Diante da escalada de óbitos, a Prefeitura de Fortaleza diz que trabalha para duplicar vagas nos cemitérios públicos da cidade.

Há preocupação com os casos e mortes na periferia da capital já que os três bairros com mais óbitos, Vicente Pinzón, Barra do Ceará e Cristo Redentor, ficam em regiões mais pobres.

Em meio à pandemia, também é presente erros e falta de comunicação com familiares dos mortos. Francisco Anastácio de Lima ficou internado por 18 dias em um hospital particular de Fortaleza até morrer na madrugada de 19 de abril, segundo o atestado de óbito por problemas cardíacos decorrentes da Covid-19.

Aos 70 anos, e diabético, Lima era do grupo de risco. O drama de sua família, porém, continuou após sua morte. O corpo de Lima foi trocado ao deixar o hospital e levado para o cemitério errado - ele acabou enterrado duas vezes no mesmo dia. O procedimento para o transporte e enterro de pessoas que morrem da Covid-19, ou com suspeita caso o exame ainda não tenha ficado pronto, é complexo. Não há reconhecimento direto de familiares, que na maioria dos casos por segurança estão há dias sem ver o parente internado infectado pelo novo coronavírus.

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