Existem situações na vida em que a maneira como reagimos muda positivamente o cenário ou piora ainda mais. Saber gerenciar essas emoções em relação a si mesmo e aos outros ao nosso redor é o que chamamos de inteligência emocional. E isso nunca foi tão necessário. Pandemia, isolamento social, novas formas de enfrentar o dia a dia exigem cada vez mais das pessoas.
Segundo Victor Bigelli de Carvalho, psiquiatra colaborador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, ter inteligência emocional envolve algumas habilidades básicas, como reconhecer e saber nomear as próprias emoções (medo, tristeza, alegria, ansiedade, frustração, entre outras) e gerenciá-las de maneira adequada a fim de resolver problemas do dia a dia e conflitos interpessoais, além de regular o estresse a que somos submetidos.
Na vida prática, saber lidar com as emoções pode ser úteis em várias situações. Veja como a inteligência emocional pode ser útil em diferentes situações e ambientes:
1. Relações afetivas
Queremos ser amados e aceitos por quem somos e fazer uma conexão real com alguém. Muitas vezes, porém, projetamos nossas expectativas, medos e vazios no outro, com a esperança de que ser desejado resolva todos os nossos problemas.
Como lidar:
Nesse caso, saber quem você é faz você escolher uma relação mais saudável. Saber e reconhecer suas expectativas, medos e vazios faz com que você possa dialogar com a pessoa amada sem sentimentos de frustração, ciúme ou irritação inadequados. Ter inteligência emocional numa relação afetiva ajuda a desenvolver o diálogo e a sustentar um vínculo saudável.
2. Trabalho
No ambiente de trabalho a situação é semelhante: saber quem você é ajuda a optar por carreira e postos de trabalho mais certos. Por mais óbvio que pareça, não é possível ser feliz escolhendo o que você não quer ou o que não tem nada a ver com você.
Como lidar: ao longo da jornada de trabalho, em termos mais pragmáticos, a inteligência emocional ajuda você a priorizar e focar nas tarefas que são importantes, auxilia na regulação do estresse (não ficar irritado desnecessariamente, não se frustrar com uma crítica e sim aprender com ela, etc.). Além disso, contribui para a motivação pessoal e o engajamento dos outros na equipe de trabalho.
3. Relações familiares
"Como pais sem inteligência emocional podem educar seus filhos? Não é possível", esclarece o Carvalho. Segundo o psiquiatra, as crianças aprendem com pais e se espelham neles. Falar pausada e tranquilamente com os filhos é fundamental para que se desenvolvam de forma saudável. Por outro lado, violências como gritar, discutir entre adultos com xingamentos na frente de uma criança, podem deixar marcas negativas e traumáticas em seus filhos.
Como lidar: um casal que tem habilidade emocional deixa atitudes instintivas e agressivas de lado para preservar seus filhos e educá-los da melhor forma possível. Em todas as situações acima ter inteligência emocional implica em reconhecer sem julgamento de valor o problema e aceitá-lo como real. Para desenvolvê-la, o mindfulness, por exemplo, pode ajudar, já que a técnica têm entre seus pilares respirar profundamente e ter empatia consigo mesmo.
É importante informar que inteligência emocional não é uma atitude automática. Até mesmo do ponto de vista biológico, quando se fala de inteligência e regulação das emoções, é necessário que usemos o córtex pré-frontal do cérebro. "Essa região da mente nos dá consciência de nossos atos, gera aprendizado e cria nossos hábitos. Portanto, agir com inteligência emocional pode virar uma rotina e ser mais natural na vida de todos, mas nunca automático", esclarece Carvalho.