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Elas contam como é ser CEO em casa ao lado dos filhos

Estadão Conteúdo
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Café da manhã em família no meio da semana era raridade na rotina de Fiamma Zarife, CEO do Twitter no Brasil, antes da pandemia do novo coronavírus. Mãe de uma adolescente de 16 anos e de um menino de 9, ela se despedia dos filhos às 6h30, quando os dois saíam para a escola. Então, começava seu ritual matutino de checar e-mails e trend topics do Twitter e fazer meditação ou dar um pulo na academia do prédio antes de ir para a empresa, onde passava o dia entre calls e reuniões. A executiva voltava a encontrar a família só às 20h para jantar.

"Agora, tomar café da manhã juntos virou um ritual", conta. Com a equipe em home office e os filhos 24 horas em casa, a dinâmica do dia da executiva mudou por completo, assim como a de tantas profissionais que tiveram que assumir a logística da casa e dos filhos da noite para o dia. "A primeira semana foi meio sem limites, com jornadas de trabalho longas e tumultuadas", diz. "Cheguei a almoçar às 3h da manhã e só porque meu marido trouxe um prato, de tão envolvida que estava com a adaptação de tudo."

A parceria com o marido, aliás, é o segredo para dar conta do recado. "Ele é o cara da cozinha, enquanto eu cuido da arrumação da casa", diz. A família também delimitou espaços para que cada um se concentre no que precisa fazer. Ela trabalha na sala, a filha estuda no quarto e o filho na cozinha. A CEO faz check-ups diários com seu time direto e calls de alinhamento semanais com 15 áreas da empresa que criam suporte para vendas - enquanto isso, o escritório da empresa segue vazio.

Para substituir as reuniões presenciais com mais pessoas, que tendem a se tornar caóticas no ambiente digital, a solução foi se apoiar no Google Docs - método que ela pretende manter. "A gente compartilha os documentos para leitura silenciosa e cada um faz seus comentários e perguntas lá, sem aquele excesso de falação."

A capacidade de adaptação e colaboração do time, para ela, são características que foram potencializadas pelo isolamento social. "Estamos vivendo uma situação limite e precisa ter muito amor e tolerância para aceitar as interrupções, aprender e também desaprender rápido."

Adaptação também se tornou palavra de ordem para Viviane Mansi, presidente da Fundação Toyota do Brasil e mãe de Guilherme, de 10 anos. Com uma agenda profissional carregada de viagens, ela ficava pouco mais de uma semana por mês no Brasil antes da quarentena.

"Eu tinha uma estrutura toda armada, meus pais moram perto e sempre deram uma baita ajuda, meu marido levava e buscava na escola", conta. De lá para cá, o rearranjo foi total. "As demandas de comunicação na empresa aumentaram absurdamente e é importante não deixar o estresse do trabalho contaminar em casa", diz.

Flexibilização da rotina, paciência e disciplina agora andam de mãos dadas. "A Toyota ainda estava no início da implementação do home office, então é um grande aprendizado", diz a executiva, que procura manter digitalmente o "olho no olho" praticado na empresa. No meio da reviravolta tecnológica, ela se diverte: "Agora somos praticamente geeks".

Em casa, também vale a máxima de flexibilizar e colaborar. Na divisão de tarefas, o marido elegeu a limpeza e ela, a cozinha. "Eu não sabia nem onde ficavam as panelas", ri. Hoje ela concilia a jornada de trabalho com as demandas da escola e dos menus diários sugeridos pelo filho. Ele escolhe um prato como desafio e dá até nota no final. A meta foi batida recentemente, quando a executiva preparou um macarrão e recebeu o prêmio máximo: "parecido com o da vovó".

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