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Paciente com câncer tem cirurgia desmarcada 3 vezes

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Diagnosticada em julho de 2019 com câncer de estômago, Carmen Lúcia Alves, de 61 anos, aguarda uma cirurgia que estava agendada para este ano no Hospital Estadual (HE) de Bauru. O que ela não esperava é que o procedimento seria remarcado por três vezes, sendo duas delas por conta da Covid-19.

"Da primeira vez, o médico disse que ainda não havia saído o laudo de uma tomografia do pulmão, por conta de um coagulo. Das duas últimas vezes, o hospital disse que não seria possível fazer a cirurgia porque não tinham leitos na UTI disponíveis, por conta do coronavírus, e eu teria que ficar pelo menos dois dias na UTI", conta Carmen.

As cirurgias foram desmarcadas nos dias 18 e 23 de março e 8 de abril, após a internação e preparação da paciente para o procedimento. "Em todas as vezes, fui internada e levada pra a sala de preparação e, só depois, soube dos cancelamentos", diz. "Agora, está suspensa a cirurgia e não sei quando vou fazer. Eu tinha uma consulta marcada com o cirurgião há cerca de duas semanas, para agendarmos a nova data. Mas o hospital ligou, dois dias antes, cancelando a consulta", completa.

Carmen já fez quatro sessões de quimioterapia no ano passado e seu médico recomendou que outras duas fossem realizadas após a cirurgia. "Como não foi feito o procedimento, acabei fazendo uma sessão de quimioterapia para ir ajudando de alguma forma. Eu fico bastante preocupada porque, como a doença se espalha, qualquer dor diferente já faz a gente pensar no pior", finaliza.

ANALISANDO

Em nota, o Hospital Estadual alega que a paciente citada na reportagem segue em atendimento. "Seu caso está entre as prioridades e as equipes de Oncologia e Cirurgia Geral estão analisando o caso para orientar a paciente ainda nesta semana", diz o texto enviado pela assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde.

Conforme dito por Carmen à reportagem, a nota confirma a identificação de um nódulo pulmonar que inviabilizou a cirurgia. "Assim, a paciente foi submetida a tratamento quimioterápico, com recomendação de operação após a conclusão desta etapa. Em abril, a equipe médica analisou o quadro clínico e optou por reagendar para garantir a segurança da própria paciente, em virtude da pandemia de Covid-19. A unidade dará todas as orientações e segue à disposição para esclarecimentos", finaliza a nota.

Consultada pelo JC na tarde desta segunda-feira (11), a paciente afirmou que não havia recebido nenhum novo contato do hospital até o momento.

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