Os setores de entretenimento, comércio e bares da cidade são os mais afetados pela quarentena, conforme aponta uma pesquisa desenvolvida pela Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib). Segundo a sondagem, puxadas por estes segmentos, as vendas como um todo caíram 45% entre março e abril de 2020.
Economista e presidente da entidade, Reinaldo Cafeo explica que o carro-chefe do impacto foi a área de entretenimento, que engloba shows, eventos, cinemas e turismo de lazer, com uma queda de 57% dentro do período em questão (confira o quadro).
Em segundo lugar, está o comércio, cujas vendas decresceram 55%. Em seguida, vem o setor de alimentação, restaurantes e bares, que registrou uma diminuição de 49%. Os serviços, de forma geral, tiveram uma queda de 41%.
A saúde apresentou uma redução de 30%. O setor inclui hospitais, consultas médicas, exames laboratoriais, indicação de medicamentos etc.
Os supermercados, por sua vez, registraram uma queda de 14%. O único segmento que teve alta foi o de farmácias, cujas vendas cresceram 10%.
Cafeo informa que o levantamento se deu através de uma sondagem. "Nós elegemos um universo e, a partir dele, analisamos uma amostra que nos deu certa segurança", acrescenta.
De acordo com o presidente da Acib, a instituição trabalhou com um universo de, em média, 85 estabelecimentos para cada categoria. "Perguntamos aos empresários, levando em consideração a base 100, o quanto as suas vendas decresceram".
O estudo, que traz uma comparação entre os meses de março e abril de 2020, teve início em 2 de maio e só findou na última segunda-feira (11).
Para o economista, o setor de entretenimento sofreu maior impacto, porque a cidade não abriga qualquer evento de grandes proporções desde a implantação da quarentena, em 20 de março deste ano. "Os músicos mal podem atuar e os promotores não têm atividade, porque as pessoas estão em casa. O máximo que alguns conseguem fazer são encontros virtuais, mas dão renda muito pequena, servindo só para marcar presença mesmo".
Além disso, o presidente da Acib confessa que se surpreendeu com o desempenho negativo de 14 pontos percentuais dos supermercados. "Porém, precisamos lembrar que as pessoas não estão adquirindo os supérfluos, ou melhor, resolveram focar nos produtos básicos, reduzindo o ticket médio de compra".
Titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Letícia Rocco Kirchner concorda com o levantamento da Acib. Ela, inclusive, cita uma pesquisa desenvolvida pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em todo o Estado (leia mais abaixo).
O estudo mostra as consequências sob três óticas: o quão restritiva é a quarentena a cada uma das atividades, a vulnerabilidade econômica delas e a sua criticidade em termos de emprego. "No gráfico, se você pegar pela vulnerabilidade econômica, encontra eventos e turismo bem acima do comércio. A primeira área, portanto, sofreu impacto maior neste sentido", avalia.
QUASE ZEROU
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Bauru e Região, Walace Garroux Sampaio, destaca que a atuação do entretenimento, em Bauru, quase zerou no decorrer do isolamento.
Segundo ele, a saída desta crise por parte do setor ainda é uma incógnita. "Eu acredito que o segmento que trabalha com congressos e convenções, por exemplo, precisará se reinventar, porque a quarentena fez com que incorporássemos de uma vez as videoconferências", comenta.
Quanto ao comércio, o presidente do sindicato concorda com a queda de 55% das vendas entre março e abril, como calculado pela Acib. "Por isso, apresentamos à prefeitura regras específicas para a retomada das atividades", complementa.
Questionado sobre a terceira área que mais sofreu, a de bares e restaurantes, Walace estima que 40% destes estabelecimentos, em Bauru, não voltará a abrir, seguindo a previsão divulgada pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo para a Capital Paulista. O líder da entidade aponta o custo fixo elevado, com garçons, cozinheiros e outros funcionários, como o maior desafio.
Presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sinhores) de Bauru e Região, Carlos Momesso acredita que a queda das vendas do setor que representa tenha sido ainda maior do que a sondagem e chegado a 60%. "Só sobraram 40% para que os comerciantes possam fazer frente às despesas, o que é muito difícil", constata.
Ele também se mostra solidário aos lojistas. "Logo, defendo a flexibilização imediata para que todos consigam se recuperar até o final do ano e fiquem, pelo menos, no zero a zero", finaliza.