Política

Cohab: liminar aumenta bloqueio

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 2 min

A Cohab obteve liminar na 1ª Vara da Fazenda Pública de Bauru, ontem, que aumenta o bloqueio de bens do ex-presidente Edison Bastos Gasparini Jr. e do ex-diretor financeiro Paulo Sérgio Gobbi. Também constam no bloqueio a mulher do ex-presidente, Isabel Cristina Gonçalves Dias Gasparini, e a filha, Mariana Gonçalves Dias Gasparini.

Em decisão da 4ª Vara Criminal, no mês passado, já havia sido determinado o bloqueio de R$ 54,8 milhões, referente ao montante dos saques realizados entre 2007 e 2019. O valor era sacado mensalmente em dinheiro, em bancos, por funcionários da companhia e levado ao então presidente Gasparini Jr., que saiu do cargo no final do ano passado, após a deflagração da Operação 'João de Barro', do Gaeco do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

A nova diretoria da Cohab não encontrou notas ou recibos comprovando o destino desse montante. Na semana passada, conforme o JC antecipou, a companhia entrou com ação civil pedindo o bloqueio de R$ 116,4 milhões - correspondente ao valor dos saques já com os juros e correções. A ação foi ajuizada pela gerente jurídica da Cohab, Andrea Salcedo, com o aval do presidente Arildo Lima Jr. O MP-SP se manifestou no processo favoravelmente ao aumento do bloqueio.

Ontem, a juíza Ana Lúcia Graça Aiello concedeu a liminar. O único ponto pedido que não foi acatado é a reversão dos bens eventualmente retidos para a Cohab de imediato, uma vez que ainda há investigação em curso no Gaeco. Já o aumento do valor do bloqueio para R$ 116,4 milhões foi acatado integralmente pela magistrada.

SEM ENTRAR

Ainda na decisão, a Justiça determinou que Gasparini Jr., sua mulher, filha e o ex-diretor financeiro Paulo Sérgio Gobbi ficam proibidos de entrar na sede da Cohab sem ordem judicial. O objetivo é evitar qualquer tentativa de obstrução a justiça. A decisão cita também depoimentos de atuais e ex-funcionários da Cohab, que detalharam os saques mensais em todo o período.

Além da apuração no Gaeco, também foi aberta uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara, onde os depoimentos confirmaram a ocorrência dos saques e a entrega do dinheiro aos antigos diretores. A liminar cita o aumento do patrimônio de Gasparini Jr., incompatível com o salário que recebia, e o dinheiro apreendido em sua residência, no ano passado. Na ocasião do primeiro bloqueio, apenas do montante original, Gasparini Jr. não se pronuncioue Gobbi informou que ainda aguarda para dar sua versão ao Gaeco na apuração.

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