A novela envolvendo a abertura do Hospital das Clínicas (HC) em Bauru ganhou novo capítulo. Nesta sexta-feira (15), tanto o prefeito Clodoaldo Gazzetta quanto o presidente da Famesp, Antonio Rugolo Junior, esperavam que o Estado assinasse o convênio emergencial para custeio da nova unidade médica, o que não ocorreu. Acionado por vereadores (leia mais ao lado), o promotor da Saúde Enilson Komono notificou a Diretoria Regional de Saúde (DRS-6) e a Famesp para resolverem o impasse. Autoridades previam que o hospital abriria as portas nesta segunda (18), mas o Estado diz somente que ainda define a situação, sem dar prazos.
Além do convênio, a Secretaria de Saúde do Estado também ainda não assinou o protocolo de intenções junto à USP, que é a mantenedora do prédio, o que impossibilita a transferência de pacientes para o local.
"Se necessário, será judicializada a questão tendo em vista a necessidade emergencial de utilização do prédio para auxiliar nos atendimentos de saúde. É um absurdo termos essa estrutura parada, uma improbidade administrativa", alerta o promotor Enilson Komono.
Rugolo diz ter recebido ligações de representantes do Estado, ontem, e acredita que a assinatura de ambos os contratos, convênio e protocolo, ocorram na semana que vem. "Não podemos mais aguardar. Estamos trabalhando para fechar com o Estado na segunda (18)", cita o presidente da Famesp, que diz já ter contratado 130 funcionários para o HC.
NECESSIDADE
Gazzetta, que também esperava a abertura da unidade no dia 18 de maio, acreditava não ser necessária a assinatura do protocolo de intenções com a universidade, apenas do convênio. Ontem, porém, ele disse ter entendido a importância do documento provisório formulado pela USP para que a unidade abrisse emergencialmente em meio à epidemia.
"Agora, compreendi qual é a assinatura que o Carlos [Ferreira Dos Santos, diretor da FOB/USP] precisa. Vou cobrar o Estado e conversar com o Marco Vinholi [secretário estadual de Desenvolvimento Regional]", promete Gazzetta. "Estão socorrendo regiões em que a situação está pior, mas Bauru tem que estar nessa lista de prioridade, independentemente de termos achatado a curva. A coisa pode piorar de um dia para o outro, é algo que tem acontecido com outros municípios", acrescenta o prefeito.
ADIANTADO
Enquanto o Estado não formaliza os contratos, a USP permitiu que uma equipe técnica da Famesp entrasse no prédio nos últimos dias para iniciar adequações, conforme o JC noticiou.
"Há sinais de que tudo será resolvido e eu sou positivo, por isso autorizei a entrada da Famesp. Os ajustes precisam ser adiantados. Só que o hospital não pode ser aberto e os pacientes transferidos sem a assinatura do protocolo de intenções ou do termo de cooperação técnica", explica Carlos Ferreira dos Santos, que também é superintendente do HRAC/Centrinho. "O prédio ainda é da USP, que é quem paga todas as despesas de vigilância, manutenção e limpeza", complementa.
IMPORTÂNCIA
Em coletiva de imprensa em 9 de abril, Estado e município anunciaram a autorização para abertura do HC com 40 leitos de baixa e média complexidade. Neste primeiro momento, a unidade não deve atender casos de Covid-19, mas servirá como retaguarda para transferência de casos clínicos de outras especialidades atendidos pelo Hospital Estadual, que se tornou referência regional para o coronavírus.
Nesta sexta, a taxa de ocupação do HE para Covid-19 era de 76% na UTI (22 dos 29 leitos ocupados) e 87% na enfermaria (27 dos 31 leitos ocupados). Para ampliar as alas que atendem a doença, o hospital depende da retaguarda. A rede particular segue com poucos pacientes em UTIs por conta do novo coronavírus.
Sobre todo o impasse, o Estado se limita dizer, em nota, que a abertura de leitos no HC de Bauru está em definição pela pasta e será comunicada aos gestores e à população.