Dois meses após o adiamento dos Jogos de Tóquio, o comitê organizador segue preocupado com a pandemia da Covid-19. A entidade ainda não sabe quanto vai custar o adiamento de um ano e como serão realizadas as Olimpíadas sob novas condições, seguindo as orientações de distanciamento social. Para o órgão, será uma edição nada "convencional", sem entrar em detalhes sobre como seria realizada esta edição caso a pandemia prossiga com muitos casos até 2021.
Os Jogos estão previstos para serem disputados entre 23 de julho e 8 de agosto. "As Olimpíadas que teremos daqui a um ano não devem ser uma edição convencional, não serão como algo que já vimos", afirmou Toshiro Muto, CEO do comitê organizador, nesta sexta-feira (15).
Se a exigência de distanciamento social for mantida até as Olimpíadas, o que alguns estudos já preveem, o comitê poderá repensar diversos fatores. Um deles pode ser a Vila Olímpica. O local deve receber 11 mil atletas olímpicos e 4.400 paralímpicos em apartamentos pequenos. A aglomeração nas residências provisórias dos atletas pode ser um risco de contaminação, assim como a própria viagem de deslocamento até Tóquio. Há dúvidas também sobre a presença de torcida nas competições.
Com diversos questionamentos pela frente, o comitê ainda reúne as informações para tomar decisões. E uma delas será sobre como vai gastar os US$ 800 milhões (cerca de R$ 4.7 bilhões) que o Comitê Olímpico Internacional (COI) vai fornecer à entidade local como forma de compensação pelo adiamento dos Jogos. Deste valor, US$ 150 milhões serão destinados a comitês nacionais e federações.
De acordo com a imprensa japonesa, os custos extras do adiamento das Olimpíadas oscilam entre US$ 2 bilhões e US$ 6 bilhões (R$ 35 bilhões). Por isso, a ordem no comitê organizador é cortar custos. "Estamos procurando (espaço para corte) em cada área possível. É o momento de revermos o que realmente é essencial para os Jogos. Quais são os itens obrigatórios? Acho que vamos criar novas Olimpíadas e Paralimpíadas, algo único para Tóquio", disse Muto.
Quando conquistou o direito de sediar os Jogos, há sete anos, os japoneses avaliavam que as Olimpíadas custariam cerca de US$ 7 bilhões (R$ 41 bilhões). Agora a previsão é de desembolsar US$ 12,6 bilhões (R$ 73,5 bilhões). Porém, um relatório de auditoria do governo aponta que o gasto pode chegar ao dobro. Deste valor, US$ 5,6 bilhões (R$ 32,7 bilhões) são públicos.