Tribuna do Leitor

Democracia

Antonio Sergio Sanches
| Tempo de leitura: 2 min

Como é duro ser democrata. Quer seja em casa, no condomínio, no clube na subprefeitura, na prefeitura, no governo do Estado e no país. Será que existe uma fórmula para acertar no alvo ou bem próximo dele toda vez que temos que tomar uma decisão e que ela seja o mais democrática possível? Quando alguém quer alguma coisa, essa solicitação para ele é legítima, mas será que no conjunto das pessoas que forma aquele núcleo essa solicitação seria legítima? Às vezes sim, mas muitas das vezes só vamos perceber o erro quando essa solicitação atendida passa a ser um tormento quando todos a desejarem (só multiplicar e terá o resultado). Então vejamos: num clube todos sempre presentes e que se mantem ativos querem que ele abra 24 horas, se o presidente atender será que vai atender a todos ou a uma minoria que assim deseja? Será que será justo para com aqueles que só podem ir ao clube num ou noutro final de semana?

Num condomínio um condômino solicita autorização para estacionar o seu barco de final de semana no meio fio em frente a sua unidade. Se o síndico atender será que estará fazendo o bem da coletividade?

Aí, nesse caso, seria melhor então multiplicar a solicitação para ver o que acontece com as ruas do condomínio, e então verá que se aprovar somente entupirá as ruas com barcos e, se pode pequenos caminhões, trailers e outra coisas mais.

Não será bom para a coletividade. Uma taxa aprovada por maioria pode parecer democrática, mas dependendo da sua função aplicada poderá beneficiar somente alguma parte dessa comunidade. Nem todos são festeiros, vão a festas de caráter religioso ou de cunho pagão. Então, não seria democrática. Porém, procura-se acertar o mais perto do alvo possível. Mas quando envolve dinheiro, será que seria democrático? Será que não seria abusivo exigir que alguém gaste com aquilo que não vai utilizar?

Tenho observado solicitações e descontentamentos durante esses dias. Será que aquilo que funciona para uma pessoa, funciona para uma coletividade? Já lhe digo que NÃO. Se você abrir para uma pessoa ou grupo, uma possibilidade qualquer, todos em determinado tempo, ao saber, vão querer o mesmo direito. Ações de segurança se perdem quando um indivíduo diz que vai fazer corretamente, que com ele nunca houve e nunca vai haver problemas. Quando ele se esconde na coletividade tudo muda e ele passa a agir de forma diversa, deixando assim de obedecer aos princípios de sua liberação. Então, no individual pode ser que funcione até determinado ponto, mas no coletivo só teremos problemas. Evite a tentação do autoritarismo ele surge quando você menos espera. Procure "liderar a si mesmo" como deixou maravilhosamente Gervásio A. Consolaro, em editorial de terça-feira p.p.

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