Dubai - Uma agência notícias iraniana próxima à Guarda Revolucionária afirmou neste sábado (16) que haverá consequências se os EUA agirem "como piratas" contra uma remessa de combustível do Irã à Venezuela. Um oficial sênior da administração de Donald Trump afirmou, na quinta-feira, que os EUA avaliam medidas em resposta à remessa de combustível do Irã à Venezuela.
Os setores de óleo de Irã e Venezuela, membros da Opep, estão sob sanções dos EUA. O oficial da administração Trump se recusou a especificar as medidas que estão sendo consederadas, mas afirmou que as opções serão apresentadas a Trump.
Pelo menos um navio petroleiro carregando combustível foi abastecido em um porto iraniano e zarpou para a Venezuela, segundo dados da Refinitiv, que monitora navios, o que pode ajudar a aliviar a aguda falta de gasolina no país vizinho do Brasil.
"Vendemos e compramos bens. Esta troca não tem nada a ver com mais ninguém. Temos que vender nosso óleo e temos maneiras de fazê-lo", disse o porta-voz do governo iraniano Ali Rabiei, segundo o site de notícias YJC, associado à emissora estatal do Irã. Separadamente, um analista iraniano linha dura sugeriu que o Irã pode retaliar contra navios norte-americanos no Golfo se os EUA agirem contra o petroleiro iraniano.
"Antes de tomar qualquer decisão, Trump deverá perguntar ao seu amigo (o primeiro-ministro britânico) Boris Johnson sobre detalhes da experiência do petroleiro britânico", disse.
O Irã confiscou um petroleiro britânico no Golfo no ano passado, após forças britânicas deterem um petroleiro iraniano nos arredores de Gibraltar. Os dois navios foram liberados após um impasse que durou meses. O navio com bandeira iraniana Clavel passou pelo Canal de Suez na quarta-feira, após ser carregado com combustível no fim de março no porto iraniano de Bandar Abbas, segundo os dados.
A Venezuela precisa desesperadamente de gasolina e outros combustíveis refinados para manter o país funcionando em meio a um colapso econômico sob comando do presidente Nicolás Maduro. A Venezuela produz óleo bruto, mas sua infraestrutura foi abalada durante a crise econômica.