São Paulo - No último dia 8, um dos deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo avisou no WhatsApp para os demais que era melhor sair do grupo dos 94 parlamentares porque os celulares de Janaina Paschoal (PSL) e de outros colegas haviam sido clonados. Rapidamente o grupo foi desfeito. Isso não impediu, porém, que o ataque atingisse ao menos outros 11 deputados.
A invasão em série, aplicada entre os dias 8 e 10, atingiu deputados de PSL, PSDB, MDB, PT, Novo, DEM e Republicanos. Também envolveu celulares de todas as operadoras. Os golpistas enviaram mensagens aos deputados se passando pelos colegas e fazendo com que eles também caíssem na fraude. Houve ainda mensagens com pedidos de ajuda financeira. Nenhum deputado, porém, chegou a fazer transferências de valores.
O caso intrigou os deputados e acendeu alerta sobre a segurança virtual, especialmente porque as sessões de votação acontecem online devido à pandemia do coronavírus. Não se sabe se a motivação foi política ou se houve apenas um golpe comum. Alguns parlamentares já procuraram a polícia para investigação.
"Foi bobagem minha", admite o líder do governo João Doria (PSDB) na Casa, Carlão Pignatari (PSDB). O deputado não possuía a verificação em duas etapas do WhatsApp, mecanismo de segurança em que o usuário tem uma senha a mais.
"Eles, se passando pelo deputado Marcos Zerbini [PSDB], me enviaram mensagem falando que iam criar um novo grupo com os deputados e me pediram um código enviado para o meu celular para que eu entrasse no grupo. E eu mandei", conta. Pignatari caiu num golpe sofisticado de sequestro de conta de Whats - acabou enviando aos bandidos o código para acessar seu aplicativo em outros dispositivos. Pignatari acha que o ataque não foi político. Heni Ozi Cukier (Novo), também vítima, não tem tanta certeza. "Acho estranho que um grupo de deputados seja atacado aleatoriamente."
Contatos do deputado Rodrigo Moraes (DEM) receberam mensagens dos criminosos fingindo ser ele. Às 14h40 do dia 8, Moraes fez uma live informando que estava sem acesso ao WhatsApp e também não conseguia fazer ligações. Afirmou que era o quarto deputado com esse problema e alertou para que as pessoas desconsiderassem mensagens vindas dele - algumas já tinham feito depósito. Duas horas mais tarde, foi a vez de Janaina avisar pelo Twitter que seu WhatsApp estava travado.
A polícia já investiga o caso, mas ainda sem pistas.