O governador João Doria iniciou sua fala tentando desconstruir a tese de que a quarentena é o que afeta a economia. "Para vencer a crise, temos que vencer o coronavírus. O inimigo da economia não é quarentena, é a pandemia", disse.
No entanto, o tucano puxou o freio ao ser questionado sobre o lockdown, já adotado em outras cidades e Estados. O governo afirma que há um protocolo para isso, mas não dá detalhes sobre qual será gatilho, embora já tenha indicado que o Estado está próximo de atingi-lo, devido à lotação nas UTIs e ao alto grau de contágio.
Nesta segunda, o governo afirmou que o lockdown é uma medida que deve ser usada se o sistema de saúde for nocauteado. Lockdown significa atestado de falência do sistema público de saúde. Quando você decreta o lockdown, é que você perdeu a capacidade de enfrentamento da epidemia. Não estamos ainda neste momento", disse o coordenador do comitê contra o coronavírus, Dimas Covas.
"Se num determinado momento o sistema de saúde for nocauteado, todos os países adotaram o lockdown como medida extrema para recuperar a capacidade de atendimento. É uma medida extrema, não é preventiva."
Doria afirmou que é preciso tomar cuidado com o uso dessa medida e que a população talvez não esteja inteirada sobre o assunto. "É uma situação infinitamente mais dura do que a quarentena", disse.
O governador João Doria afirmou que é preciso aumentar o número de leitos para evitar que se chegue a essa situação. "Não podemos simplesmente adotar essa medida como algo confortável para a saúde", disse Doria. O governador ainda afirmou que a situação está sob controle e que não há risco.
Questionado posteriormente se o governo esperará o sistema colapsar, Doria afirmou que estar "trabalhando para não haver o colapso".
O governador Doria voltou a entrar em choque com o governo federal, agora a respeito da cloroquina, devido a decreto planejado pelo governo para casos leves de Covid-19. "Não se prescreve receita por decreto. Portanto, São Paulo não vai aceitar que por decreto se estabeleça receituário médico", disse.