São Paulo - O Brasil rompeu nesta terça (19) a marca de mais de mil mortes diárias por Covid-19 - uma morte a cada 73 segundos. O País registrou 1.179 novos óbitos nas últimas 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. Ao todo, são 17.971 óbitos por coronavírus e 271.628 casos confirmados.
Neste momento é possível afirmar que o novo coronavírus é a maior causa de mortalidade, hoje, no Brasil, superando o conjunto de todas as doenças cardiovasculares, como infartos e AVCs, que matam 980 brasileiros por dia.
No mundo, EUA, Reino Unido e França também registraram mais de mil mortes por coronavírus por dia, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. Os EUA levaram 70 dias desde o primeiro caso confirmado para atingir a marca, o Reino Unido, 68 dias, a França, 69, e o Brasil, 83 dias.
Também ficaram para trás as mortes diárias por câncer (624) e aquelas por causas externas, como acidentes e violência (424). Os números se referem a dados de 2018, os mais recentes no DataSUS, do Ministério da Saúde.
O total de mortes diário causado pela pandemia no País também é muito maior do que o de grandes tragédias da história recente do país. Em 25 de janeiro de 2019, centenas de pessoas foram atingidas pela lama após o rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho, que resultou em 259 mortos e 11 desaparecidos.
A pandemia de Covid-19 caminha a passos largos para entrar no tétrico ranking de maiores epidemias não só no mundo mas também no Brasil, onde já acumula mais de 17.971 mil mortes. Talvez a maior e mais difícil de mensurar seja a mortandade por varíola e outras doenças trazidas pelos europeus ao continente americano. Estima-se que 90% da população nativa tenha morrido - isso no Brasil pode significar algo na ordem de 9 milhões de vidas.
Airton Stein, professor de saúde pública da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, explica que a pandemia tem efeitos intrincados na saúde da população, que está deixando de ir ao médico. A telemedicina até o momento não supriu as carências do sistema de saúde, que, em sua avaliação, sofre com a falta de financiamento. "A Covid-19 é identificada como respiratória, mas tem impacto em vários sistemas. Sua história natural ainda está sendo conhecida", diz Stein.