Um paciente dá entrada em uma unidade de pronto-atendimento com falta de ar. Em meio à pandemia do novo coronavírus, os médicos se apressam para iniciar a investigação: aferem o nível de oxigênio no sangue, a temperatura do corpo e avaliam possíveis lesões pulmonares.
Quando o quadro do paciente inspira maiores cuidados, o caminho é um só: os hospitais que atendem casos de Covid-19 na cidade. Em Bauru, na rede pública, a unidade de referência regional é o Hospital Estadual (HE).
Na rede privada, três hospitais também recebem pacientes com suspeita ou confirmação da doença. Nesta edição, o Jornal da Cidade revela o protocolo adotado por estas instituições, quais medicamentos utilizam e quando recomendam que o paciente seja sedado e intubado.
Em Bauru, a pandemia já contabiliza 247 casos confirmados e 12 mortes em pouco menos de dois meses. Neste período, por se tratar de uma doença desconhecia, os hospitais tiveram de reavaliar constantemente seus protocolos de atendimento, além de redobrar cuidados diante dos riscos de infeção para outros pacientes e para os próprios profissionais de saúde.
Para explicar o atendimento prestado às vítimas, o JC ouviu o coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HE, o médico Lucas Marques da Costa Alves, e o infectologista Taylor Endrigo Toscano Olivo, que trabalha em hospitais da rede pública e privada.
No HE, uma das alas de Covid-19 ocupa o segundo andar inteiro, em um total de 2.570 metros quadrados, onde estão leitos de enfermaria e UTI. No primeiro andar, outra área, de 1.368 metros quadrados, abriga outra parte dos leitos de UTI. Ao todo, são 31 leitos de enfermaria, para os casos considerados menos graves, e 29 leitos de UTI.
FALTA DE AR
Alves explica que, normalmente, o paciente chega ao hospital apenas com suspeita de Covid-19, já que o resultado do exame leva alguns dias para ficar pronto. Têm indicação de internação os casos moderados e graves de quadro infeccioso respiratório.
"São pacientes que apresentam muita falta de ar. São pessoas que estavam sentindo cansaço, por exemplo, ao executar pequenas ações rotineiras, como tomar banho", descreve o coordenador.
Ao dar entrada no hospital público, bem como na rede privada, o paciente é medicado com a combinação de dois antibióticos, normalmente azitromicina e amoxicilina, para tratar uma possível infecção bacteriana, principal causa de agravamento do quadro de saúde de pacientes com Covid-19. Também é administrado oseltamivir (Tamiflu), antiviral largamente utilizado para tratamento de gripe A H1N1.
"Usamos o oseltamivir por até três dias do início de sintomas. Se o exame der positivo para Covid-19 antes disso, este medicamento é suspenso", pontua o infectologista Taylor Olivo. O antiviral remdesivir, cujo uso emergencial para combate à Covid-19 foi aprovado neste mês pela Food and Drug Administration (FDA), não é utilizado por não haver estoque disponível no Brasil.
TRATAMENTO DE SUPORTE
Na rede privada, também há a possibilidade de uso, dependendo do caso, de anticoagulante em doses profiláticas para evitar tromboses, como na pública. "O tratamento é sempre individualizado, até porque as sociedades de área têm se baseado, por enquanto, em evidências técnicas. Não há, ainda, uma medicação criada especificamente para tratamento de Covid-19", pontua Olivo.
Além de terapia farmacológica, o paciente recebe tratamento de suporte, que varia de acordo com o nível de oxigenação no sangue. Para os casos moderados, um cateter de oxigênio é inserido nas narinas para manter a saturação de oxigênio no sangue acima de 93%.
O paciente pode ficar em leito de UTI ou clínico, dependendo do nível de desconforto que apresenta para respirar. "Há um limite para oxigenação por meio do cateter. Quando o paciente continua com pouca oxigenação, ele passa a ser considerado um paciente grave e, na grande maioria dos casos, precisará ser intubado", detalha Alves.