Washington - Durante os oito anos em que esteve na Casa Branca, Barack Obama costumava almoçar uma vez por semana com Joe Biden. Confidenciou ao vice que admirava a postura discreta dos ex-presidentes dos EUA, que historicamente evitam fazer críticas públicas a sucessores em início de mandato. Biden sabia que o primeiro negro a ocupar a presidência americana não deixaria de seguir essa tradição.
Desde o início do ano, Obama traça uma estratégia cuidadosa para entrar na corrida à Casa Branca como principal cabo eleitoral democrata sem deixar fraturas no partido. Diante do cenário incerto escancarado por uma pandemia que já matou mais de 95 mil pessoas nos EUA, Obama se apresenta a um desafio duplo: unir democratas em torno de Biden e tentar atrair eleitores que votaram nele em 2008 e 2012, mas, em 2016, cansados da política tradicional, preferiram Trump.
Entre os já convertidos, Obama vai atuar para que negros, jovens e latinos democratas compareçam às urnas em favor de Biden. O ex-vice-presidente tem o apoio do primeiro grupo, que ressuscitou sua desacreditada candidatura em uma vitória esmagadora nas primárias da Carolina do Sul, mas ainda não conquistou jovens e latinos, que estavam com Sanders e resistem a apoiar um nome moderado. Ter o apoio dos negros nas prévias, porém, não é suficiente. Como o voto não é obrigatório nos EUA, é preciso motivá-los a votar no dia da eleição.
Favorito para novembro até o início da pandemia, Trump tem perdido popularidade diante de sua condução da crise, considerada lenta e pouco eficaz. Enquanto isso, Biden passou a liderar as pesquisas.
Obama entra em cena para tentar ampliar a vantagem e mostrar aos ex-apoiadores que a normalidade que existia nos Estados Unidos durante o seu governo pode voltar sob Biden.