Ser

Alguém para conversar


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Aos poucos, as atendentes foram descobrindo os melhores horários para entrar em contato: depois das 10h da manhã e não quando estiver passando novela na televisão. Uníssona é a percepção de que o que mais os idosos querem é simplesmente alguém para conversar. A análise é que os familiares, por mais atenciosos que sejam, se atém a perguntas corriqueiras: se está tudo bem de saúde, se aconteceu alguma coisa importante que eles precisem saber. Uma das dificuldades é o contato inicial, já que muitos idosos atendem desconfiados, alguns até achando que se trata de um golpe. Isolados, os idosos costumam relatar tristeza por não poderem ver a família, os filhos, os netos. Também é a grande a afinidade deles com a leitura, mais que com filmes ou interações virtuais. Este foi justamente um dos motivos pelos quais a iniciativa optou por usar o telefone e não a câmera de vídeo para a interação. "A maioria que a gente liga tem, 70, 80 anos, então é pelo telefone fixo [que conversamos]", conta Silmara. Após a quarentena, o grupo prepara uma série de atividades presenciais para este grupo de beneficiários.

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