Terminado o Campeonato da segunda divisão da Federação Paulista de Futebol (FPF), em 1952, os clubes do Interior começaram a se preparar para a disputa de 1953. Em Bauru, tudo levava a crer que o Bauru Atlético Clube (BAC) não mais teria condições de formar um grande time, visto que na temporada anterior, terminou em situação financeira precária.
O Noroeste, que também não foi bem naquela disputa, não fez loucuras quanto aos gastos com a sua equipe. Assim, o Alvirrubro manteve o mesmo elenco, mas contratou os três melhores jogadores do seu rival - o BAC: o goleiro Sidnei e os laterais Nelson Faria e Amaro. Com os restantes atletas do ano anterior, passou a cumprir os jogos de 1953, cuja disputa foi iniciada, com muito atraso, comandada pelo técnico Pepino.
A imprensa esportiva de São Paulo apontava a Ferroviária de Araraquara como o possível campeã daquele ano e seria, portanto, a nova integrante da 1ª Divisão. Naquele ano, foram formadas três séries: a verde, amarela e azul. O Noroeste ficou na verde, que era integrada pelo BAC, Tupã, Marília, Piracicabano e São Paulo de Araçatuba.
As outras também contavam, cada uma delas, com seis equipes. O campeonato foi realizado em dois turnos, classificando-se dois de cada grupo para o Torneio dos Campeões. Na série verde, o Noroeste começou a vencer todos os seus adversários e, com apenas uma derrota (em Araçatuba), tinha amplas possibilidades de classificação para o Torneio dos Campeões.
Para isso, necessitava reforçar o seu elenco e aí foi necessária a colaboração do diretor da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, Marinho Lutz, a fim de que fosse possível três contratações: Luiz Marini e Ranulpho, ambos do São Paulo, e Colombo, do Corinthians.
TORNEIO DOS CAMPEÕES
Com o seu elenco completo e terminadas as disputas das séries, foram definidos os adversários do Noroeste no Torneio dos Campeões: Ferroviária, Paulista, América, Marília e Bragantino. A disputa era em dois turnos e o clube que somasse mais pontos seria o novo integrante da elite do futebol de São Paulo.
Bauru toda, naquela época, vestiu a camisa do Noroeste, inclusive com a adesão de muitos torcedores do BAC, que deixaram de lado a rivalidade e passaram a apoiar o Norusca. O empresário Armando Turtelli, noroestino roxo, criou o slogan "Pra frente Noroeste", frase que foi fixada nas janelas das residências, nas portas, paredes, nos veículos etc.
Aproveitando os dizeres daquele slogan, o então radialista Luciano Dias Pires lançava, pela Bauru Rádio, o programa "Pra Frente Noroeste", no ar diariamente das 20h às 21h. Aos domingos, transmitia diretamente da concentração Noroestina e também do Bar e Restaurante Cristal, que era o "Quartel General dos Esportistas", a partir das 11h da manhã.
A CAMPANHA DO NOROESTE
Iniciado o Torneio dos Campeões, o Noroeste derrotou, em Bauru, o Paulista por 4 a 2. A torcida, eufórica, que lotou o velho estádio da rua Quintino Bocaiúva, festejou e muito aquele primeiro triunfo. O segundo compromisso seria em São José do Rio Preto, contra o América, um dos sérios candidatos ao título. Mas lá o Noroeste também venceu, desta vez por 2 a 1. A partir daquela vitória, o Alvirrubro passou a ser visto com mais respeito pelos adversários, inclusive pela imprensa paulistana.
Veio o terceiro jogo, contra a Ferroviária, considerada a mais forte candidata ao acesso. Impondo o seu melhor futebol, o Noroeste triunfou por 2 a 0. Após esse jogo, a torcida bauruense já acreditava no título. Partiu então o Noroeste para o seu quarto compromisso, que seria em Marília. Grande era a expectativa em torno desse duelo que teve um fim melancólico, com o árbitro, ao final, sendo agredido pela torcida e hospitalizado em Vera Cruz. O Noroeste venceu por 2 a 1.
A final do primeiro turno foi em Bauru, contra o Bragantino. Seria uma vitória tranquila, não fosse um fato que provocou uma situação triste para o Noroeste, pois logo de manhã o técnico Pepino foi encontrado morto na concentração. Dirigentes noroestinos tentaram, junto à FPF, a transferência daquele compromisso, mas o Bragantino não aceitou e mesmo sob aquele ambiente de muita tristeza, o Noroeste venceu por 1 a 0.
RETURNO E CONSAGRAÇÃO
Bauru, em torno do Noroeste, era uma loucura. Se fosse campeão, já no certame principal de 1954 recepcionaria, no Estádio Alfredo de Castilho, as equipes grandes do futebol paulista. No primeiro jogo da fase final, em Jundiaí, outra vitória fora, por 1 a 0. Era impossível deter o Noroeste. Jogando novamente em Bauru, desta vez frente ao América de São José do Rio Preto, saiu vencedor por 2 a 0. Invicto, foi jogar em Araraquara e lá perdeu por 5 a 3. Mas essa derrota não teve influência.
O domingo seguinte poderia ser o dia da vitória final pois, se vencesse o Marília, em Bauru, e a Ferroviária perdesse em Rio Preto, seria o Noroeste, por antecipação, o campeão de 1953, competição que terminou em maio de 1954.
A expectativa era das maiores. O lendário estádio recebeu um público recorde, pois 10 mil torcedores ocuparam todos os lugares, inclusive sobre a marquise da arquibancada e pendurados nas torres de iluminação e nos galhos dos eucaliptos.
A entrada, em campo, foi o prenúncio de uma conquista jamais esquecida. Rojões, serpentinas, bexigas coloridas e grupos musicais, davam um aspecto festivo àquela tarde.
Veio o jogo e novo e consagrador triunfo por 2 a 0 contra o Marília. Depois de fazer a sua parte, o elenco noroestino, diretores, imprensa e a torcida esperavam o final da partida em Rio Preto, cujo resultado vinha sendo a vitória parcial do América, sobre a Ferroviária.
O serviço de som do estádio retransmitia o jogo e todos, no centro do gramado, esperavam o final e quando isso ocorreu, foi um grito só: "Noroeste Campeão do Interior de 1953". Essa, foi, sem dúvida nenhuma, uma das páginas mais bonitas da história do Alvirrubro.