Brasília - A equipe econômica quer tomar US$ 4,01 bilhões emprestados de organismos internacionais para o financiamento de despesas relacionadas à crise com o coronavírus, incluindo ampliação do Bolsa Família e pagamento do auxílio emergencial, do seguro-desemprego e do benefício direcionado aos que têm os contratos de trabalho suspensos ou jornadas reduzidas. Pelo câmbio desta segunda-feira (25), os recursos correspondem a aproximadamente R$ 21,9 bilhões.
O pleito terá sua análise finalizada na tarde desta segunda-feira em reunião da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), composta por membros de diversas secretarias do Ministério da Economia, além do secretário de Política Externa Comercial e Econômica do Ministério das Relações Exteriores.
Dos US$ 4,01 bilhões, o governo irá pleitear US$ 1 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e a mesma quantia tanto do Banco Mundial quanto do New Development Bank (NDB), o banco do Brics.
Fechando o pacote total também estão pedidos de empréstimos de US$ 420 milhões do banco de desenvolvimento alemão KfW, US$ 350 milhões da Corporação Andina de Fomento (CAF) e US$ 240 milhões da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
O governo pretende direcionar US$ 1,72 bilhão para o programa de renda básica emergencial, US$ 960 milhões para expansão do Bolsa Família, US$ 550 milhões para o programa de manutenção do emprego e renda e mais US$ 780 milhões para aumento da concessão de seguro-desemprego em meio à expectativa de elevação do número de demissões com a crise. Os números constam em documento visto pela Reuters.
A alternativa de financiamento junto a esses organismos em detrimento da emissão de dívida para cobertura dessas despesas vem num momento em que membros do time de Paulo Guedes têm destacado que a percepção de risco ligada ao Brasil tem influenciado a estratégia de colocação de títulos mais longos no mercado.
Na semana passada, o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou que o país não tem dificuldade para se financiar com a venda de títulos públicos no mercado doméstico, mas sublinhou que a expansão fiscal só consegue ser bancada com aumento da dívida de curto prazo. Para papéis com vencimento a partir de três anos, a visão é que o prêmio envolvido é muito alto.