Bruxelas - À medida em que países reabrem as atividades econômicas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou o alerta de uma possível segunda onda de casos da pandemia do novo coronavírus e recomendou cautela nessa fase de transição. "Precisamos estar cientes do fato de que a doença pode aumentar a qualquer momento", avisou o diretor do programa de emergências da OMS, Mike Ryan.
Nesta terça, os casos confirmados em todo o mundo superaram 5,5 milhões, de acordo com levantamento em tempo real da Universidade Johns Hopkins. O total de mortos é de 346.700, mas as estatísticas provavelmente são mais altas devido a diferentes definições e taxas de teste, atrasos e suspeitas de subnotificação.
Maria Van Kherkove, epidemiologista líder da resposta da OMS à pandemia, comentou que uma característica dos coronavírus é sua capacidade de se disseminar em determinadas situações e eventos de "super propagação". No último fim de semana, a imprensa alemã divulgou que uma missa na cidade de Frankfurt deixou mais de 40 pessoas contaminadas.
Ainda não se sabe como o vírus vai desenvolver ao longo do tempo, mas Mike Ryan disse há duas semanas que ele poderia "nunca ir embora". "Esse vírus pode se tornar um vírus endêmico nas nossas comunidades. Pode nunca ir embora. O HIV nunca foi embora", afirmou.
Algumas das perguntas sem respostas de Ryan são a reação do vírus a variações de estações do ano, possíveis mutações que o tornem mais ou menos letal, o tempo de imunidade de uma pessoa que se recuperou e o período necessário para produzir uma vacina.
Um vírus endêmico é aquele em que as populações de uma determinada região precisam conviver e que se manifesta ao longo do tempo. No Brasil, são doenças endêmicas a malária, a dengue e a febre amarela, por exemplo.
A cientista-chefe e diretora executiva da OMS, Soumya Swaminathan, afirmou que o cenário mais plausível pode envolver "ondas epidêmicas recorrentes, intercaladas com períodos de transmissão de baixo nível. "Os países que estão assumindo o controle de seus próprios risco."
Ainda que faltem informações precisas sobre a época, especialistas consideram que pandemia da gripe espanhola, ocorrida há cerca de um século, teve pelo menos três grandes ondas. O surto de H1N1 também teve duas ondas.