Quem é fã de futebol deve ter uma virada de ano bem diferente. Com jogos entre o Natal e o Ano Novo e também no início de janeiro do ano que vem, o Campeonato Brasileiro de 2020 terá um calendário modificado por causa da longa paralisação provocada pela pandemia do novo coronavírus. Quem revelou esses planos foi o secretário-geral da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Walter Feldman.
A entidade ainda não sabe quando poderá reiniciar as competições, mas tem claro que só vai retomar o calendário após receber autorização do Ministério da Saúde. Segundo Feldman, por enquanto, o trabalho é o de atualizar um protocolo de cuidados médicos, dialogar com clubes e federações e garantir que nenhuma pressão política vai apressar o retorno das atividades do futebol brasileiro.
Alguns times já voltaram aos treinos. Isso não pode representar uma vantagem competitiva lá na frente?
Walter Feldman - A volta das competições tem de ser baseada primeiramente nas condições de saúde, com as curvas controladas e com os protocolos praticados. Pela nossa previsão, nosso calendário deve ser retomado em cima das competições estaduais para que quando comece os torneios nacionais, os clubes já tenham o preparo e o condicionamento adequados. Até agora é plenamente possível cumprir o calendário brasileiro. Podemos aproveitar datas que não são aproveitadas e, se necessário, algumas datas do início de 2021.
Então é possível o Brasileiro terminar só em janeiro?
Feldman - Sim. Eu diria que quando a gente iniciou a parada, começou a pensar nos mecanismos de flexão que teriam de ser acrescentados ao calendário para podermos ter condições de terminar as competições. Por isso que trabalhamos com a extensão das férias dos atletas para ter a liberação do período entre Natal e Ano Novo. Seria possível fazer um calendário até 2021 e também iniciamos algo que vem sendo mantido, de diálogo com a Federação dos Atletas para termos a redução do tempo entre as partidas.
Como ficariam os contratos de jogadores? Muitos dos atletas têm vínculos só até 31 de dezembro.
Feldman - Tem um projeto de lei para resolver algumas questões e uma delas é a possibilidade de se assinar um contrato por só 30 dias (o contrato mínimo permitido atualmente é de 90 dias de duração).
Como tem sido feito o protocolo médico da CBF para a volta dos times aos treinos?
Feldman - Fazemos atualizações quase que diárias, porque as mudanças sobre a pandemia são constantes, com o conhecimento de novos testes. Temos conduzido esse trabalho junto com o Ministério da Saúde sem nenhum tipo de pressão ou açodamento. Nós estamos acompanhando a evolução da epidemia. O protocolo está muito bem elaborado, participaram mais de 150 médicos do futebol, tem seis pareceres de infectologistas e epidemiologistas.
Quem vai dar o aval final para liberar o futebol?
Feldman - Desde o início a nós falamos que não daríamos um passo sem as recomendações do Ministério da Saúde, tendo em vista que a CBF é uma instituição nacional. Mas não deixa de ser fundamental a avaliação das secretarias municipais e estaduais de saúde.
Quando voltar, só teremos jogos com portões fechados?
Feldman - Eu não diria que temos isso claro. Mas em nenhuma hipótese pensamos na retomada com os portões abertos. Claro que sempre estará no horizonte pensar em jogos com torcida, distanciamento e cuidados, mas eu diria que agora é uma questão distante de ser tratada.
A CBF pretende bancar os testes de alguns times?
Feldman - Nas primeiras conversas que tivemos com o Ministério da Saúde, como o futebol se tornou um exemplo importante para fazer as pessoas se distraírem, até se levantou a possibilidade de o Ministério fornecer testes. Mas isso não era possível nem adequado. Estamos agora avaliando preços, origem dos testes e qualidade. A cada momento aparece um teste novo. Como a Série A e a Série B têm vários clubes voltando, estão fazendo por iniciativa própria. Estamos em um momento de avaliação, de custo, de mercado, de fazer avaliação disso. Neste momento não tem nenhuma sinalização de se discutir valores. Os preços são altos e a quantidade é grande.
É possível fazer alguma previsão de quando o futebol voltará?
Feldman - Nós estamos exatamente no pico da pandemia. E não sabemos o tamanho do platô desse pico. A recomendação expressa que tenho do presidente (Rogério) Caboclo é para não dar nenhuma data ainda. Ou seja, estamos fazendo tudo correto, de forma sensata, mas ainda não falamos em prazo.