Reflexo imediato da quarentena imposta para reduzir a velocidade de disseminação do novo coronavírus, o nível de emprego em Bauru sofreu queda drástica em abril. Somente neste primeiro mês de suspensão dos serviços considerados não essenciais, foram extintos quase 3 mil postos de trabalho com carteira assinada na cidade.
Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia com base em dados divulgados pelas empresas, 2.991 empregos formais foram perdidos em abril, resultado que foi impulsionado principalmente pelos setores de serviços, comércio e indústria.
O desempenho crítico de Bauru, como já era imaginado, acompanha uma tendência nacional. No Brasil, foi contabilizada a extinção de 860,5 mil vagas, sendo 260,9 mil somente no Estado de São Paulo.
DEMITIDA
Uma das trabalhadoras que entrou para estas estatísticas foi a auxiliar de vendas Bruna Maria de Souza, 32 anos, demitida de uma loja de utilidades domésticas da cidade logo no início da quarentena. "Tinha sido contratada em novembro do ano passado. Infelizmente, fiquei poucos meses. Além de mim, outros 13 funcionários foram demitidos somente nesta loja", comenta.
Os R$ 1,2 mil que recebia como salário começaram a fazer falta e Bruna passou a produzir bolos de pote, trufas e pães de mel, que ela vende no @docesbrunamaria, no Instagram, como uma alternativa de renda. "São doces que eu sempre gostei de fazer. Então, vou seguir batalhando", acrescenta.
O setor do comércio, onde Bruna trabalhava, foi um dos mais afetados pelo fechamento provisório dos estabelecimentos em Bauru. Segundo o Caged, neste segmento, foram extintos 727 postos com carteira assinada em abril, volume menor apenas que o ramo de serviços, que fechou o mês com a redução de 1.578 vagas. Já a indústria registrou perda de 551 vagas (veja mais no quadro).
"A indústria não foi obrigada a parar totalmente suas atividades, mas demitiu porque passou a não ter demanda para o volume que estava acostumada a produzir", destaca o economista Reinaldo Cafeo, que é presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).
RECUPERAÇÃO LENTA
De acordo com ele, o governo federal criou estratégias para que o emprego não fosse diretamente atingido pela quarentena, ao menos no curto prazo. Entre as medidas adotadas, estão a redução de jornadas, o adiamento do pagamento de tributos e linhas de crédito para que as empresas pudessem se sustentar.
Porém, como a quarentena já se alonga por mais de dois meses, os impactos foram inevitáveis, especialmente para os negócios de menor porte. "Bauru, por exemplo, tem matriz econômica alicerçada em comércio e serviços. Estes dois setores foram muito prejudicados e terão uma recuperação lenta. Quem deve segurar um pouco a queda no nível de emprego é a área de construção civil, que não teve grande paralisação, além de indústrias de exportação e as ligadas à cadeia de alimentação", detalha.
Até o momento, o resultado só não é mais devastador porque, entre janeiro e março, o nível de emprego formal em Bauru foi positivo, com a geração de 1.553 novas vagas. Com isso, o saldo do primeiro quadrimestre de 2020 ficou em 1.438 vagas extintas.