São Paulo - O dólar voltou a subir após fechar em queda por seis pregões seguidos. O noticiário político interno pesou nesta quinta (28), de acordo com profissionais das mesas de câmbio. O embate entre Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF) fez o real ir na contramão de outras moedas emergentes, que ganharam força ante o dólar.
O real teve o pior desempenho no mercado internacional, considerando uma cesta de 34 moedas. No mercado à vista, o dólar fechou com valorização de 1,97%, cotado em R$ 5,3832. No mercado futuro, o dólar para junho foi a R$ 5,3975.
Bolsonaro pediu um "basta" ao Supremo e disse que "ordens absurdas não se cumprem", sobre as ações recentes do STF, no inquérito das fake news. Na tarde de ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse que as declarações de Bolsonaro "são muito ruins" e vão no "caminho contrário contra tudo o que começamos a construir com todos os poderes", além de gerarem insegurança.
No Exterior, o dólar caiu ante divisas fortes e emergentes, em meio a nova rodada de indicadores ruins da economia americana e aumento da tensão com a China, que aprovou uma lei de segurança nacional para Hong Kong. Após a notícia da entrevista de Trump sobre a China, os ativos de risco pioraram e o dólar reduziu a queda ante emergentes.
Sobre o real, o coordenador do centro de estudos monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), José Julio Senna, disse que as últimas semanas têm sido marcadas por forte depreciação do real e o BC tem procurado agir "sem muita agressividade".