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Volta ao trabalho sem reabertura de escolas e creches gera dilema a mães

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Mãe de três crianças, de 2, 4 e 9 anos, Aline Cristina Perino da Silva, de 29 anos, vive um drama que representa a realidade de muitas famílias atualmente e que vai se intensificar com a reabertura do comércio, mas sem a volta das atividades de creches e escolas. Sem apoio em Bauru, ela precisou enviar os filhos para a sogra em Ubirajara (83 quilômetros de Bauru) há duas semanas. Segundo a prefeitura, a previsão é de que as unidades escolares voltem só no fim de julho.

"É sofrido demais. O meu menino maior até encara como férias, mas os menores sofrem. Ligo para eles todos os dias, mas minha angustia só aumenta. Está difícil sem eles, quero trazê-los de volta", comenta a mulher.

Com renda de R$ 1,2 mil e ainda sem registro formal, a secretária conta que conseguiu emprego recentemente e teme perdê-lo pela dificuldade que encontra sem o apoio das escolas. Quando a empresa voltou à ativa, no fim de abril, ela chegou a pagar uma babá com o auxílio emergencial de R$ 600,00 que recebeu do governo federal, mas o valor ficou insuficiente.

"Sempre passei apertado, mas as contas de mercado triplicaram, o preço de quase tudo aumentou. Meus filhos faziam as refeições na escola antes e eu só me preocupava mais com jantas, cafés da manhã e alimentação aos finais de semana", cita.

Com o acúmulo de contas e sem apoio de alguém que pudesse lhe ajudar a cuidar das crianças, ela diz que sua única saída foi enviá-los para a avó. "Não tive escolha, mas quero trazê-los de volta. A prefeitura poderia tentar ajudar de alguma forma mães como eu, que estão trabalhando e precisam de creche e escola. Se é para abrir o comércio, então, tem que abrir tudo", reclama.

PREVISÃO

A secretária municipal de Educação, Isabel Miziara, lamentou a situação e se mostrou preocupada com as consequências da flexibilização nesse sentido para muitas famílias.

"É difícil. A gente entende, mas é uma deliberação de ordem federal e temos que seguir", cita Isabel. "A sinalização que temos, por enquanto, é uma previsão que saiu publicada no Diário Oficial da União, em 27 de maio, de que as aulas, tanto das escolas públicas de Educação Básica quanto das de Ensino Superior, poderão ser retomadas em 27 de julho. Mas é uma previsão e não está claro ainda nem como seria essa retomada", completa a secretária, apontando como saída acordos dos pais com seus empregadores.

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