O trabalho exige eficiência e velocidade, simultaneamente. E com a pandemia do coronavírus surgiu um novo desafio, a proteção. Os trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) tem como objetivo chegar precocemente à vítima após ter ocorrido alguma situação de urgência ou emergência. Os profissionais estão na linha de frente e prestam, há quase 70 dias, um atendimento que foi planejado para dar suporte a casos da doença. E eles contam com o "Coronamóvel" equipado com a cápsula anti-Covid.
Segundo Guilherme Trípoli, médico e coordenador da Samu Bauru e Regional, a rotina dos profissionais de atendimento mudou radicalmente no começo de março, com o início dos primeiros casos suspeitos da doença.
"Foi um susto muito grande. Faço linha de frente e administrativo. E a primeira coisa que organizamos no Samu foi a nossa proteção individual, para que pudéssemos estar bem para cuidar das pessoas. Foi criado um sistema de regulação no telefone 192, a opção 2, para tudo o que envolve Covid. Dúvidas e o primeiro atendimento", revela Trípoli.
O médico conta também que na pandemia a queda de acidentes e traumas foi muito significativa. O isolamento social salvou vidas, literalmente, afirma ele. Não só evitando mortes por falta de leitos de UTI que eventualmente pudessem ocorrer, mas, também, pelos acidentes de trânsito que deixaram de ocorrer. As vítimas mais frequentes são os motociclistas.
O Samu informa que com a diminuição dos automóveis nas ruas, os traumas e até mortes a partir do uso de motos despencou.
MARCANTE
Um episódio importante relatado pelos profissionais do Samu ocorreu em março, no início da quarentena. Uma equipe atendeu a um chamado de infarto, todos já equipados com proteção da Covid. Eles fizeram o coração da vítima voltar a bater. Apesar do receio com contágio, a preocupação em salvar a vida era a prioridade. O paciente infartado se recuperou, passou por exame e testou positivo para Covid. A equipe chegou a ficar de quarentena, em observação, mas com o dever cumprido.
"Deixamos nossa família em casa para cuidar do próximo. Cada vida salva é comemorada como uma grande vitória coletiva", destaca Guilherme Trípoli.
PRONTIDÃO
Para José Eduardo de Castro, chefe de enfermagem do Samu, os profissionais se prepararam para a chegada inevitável do coronavírus em Bauru, antes dos primeiros casos suspeitos ocorrerem.
Houve antecipação com equipamentos de segurança, protocolos e uma ambulância foi designada para atender chamados sobre a doença. O veículo foi apelidado por eles de "Coronamóvel". Além disso, o empresário Jurandir Posca, da Lume Light, fez doação de três cápsulas anti-Covid, que protegem os socorristas da transmissão via aerossol, gotícula e contato. Item fundamental no serviço prestado 24 horas por dia.
"Os profissionais do Samu são também o elo de atendimento e transporte entre a rede de urgência e hospitais de internação. Sejam casos leves ou graves. A cápsula nos protege durante o trabalho, que é feito em uma ambulância específica, o "Coronamóvel", que concentramos os atendimentos de Covid, constantemente higienizada", comenta José Eduardo de Castro.
Ele ainda leva em consideração a queda brusca de chamadas de acidentes de trânsito, atribuída ao isolamento social, e acrescenta que brigas de bares, também resultantes em lesões e chamadas frequentes ao 192, deixaram de ocorrer com os estabelecimentos fechados.
"A quarentena possibilitou que nós do Samu nos preparássemos mais e melhor para as chamadas de socorro das pessoas com sintomas de Covid, principalmente com a dificuldade de respirar. Foram muitas as ocorrências. E é importante destacar que sempre pensamos na nossa segurança e dos pacientes", conta o chefe de enfermagem, que perdeu as contas de quantos bauruenses já socorreu com sintomas de coronavírus.