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A mobilidade após a pandemia

Archimedes azevedo raia jr.
| Tempo de leitura: 2 min

Em distintos países, a pandemia Covid-19 vem sendo gerenciada de maneira diversificada, com novas ações sendo viabilizadas para a mobilidade das pessoas. No Brasil, estados e municípios estão impondo com mão de ferro restrições à liberdade de circulação. Essas ações, concebidas de forma isolada, vêm conduzindo à severa quebradeira nos setores da economia, bem como na quantidade de tráfego de veículos e pessoas no ambiente urbano e regional. O Google divulgou, em 29 de março, dados sobre a variação nos padrões de mobilidade para diversas atividades nos estados brasileiros e, em geral, a redução é violenta. No Estado de SP, algumas atividades declinaram mais de 70%.

Uma das atividades que mais sofreram impactos nestes tempos é a de serviços de transporte coletivo. Há que se considerar que uma fatia superlativa dos deslocamentos diários são as chamadas viagens pendulares, ou seja, casa-trabalho-casa, casa-estudo-casa etc. Tão logo iniciou o isolamento, empresas de ônibus passaram a operar em horários reduzidos, caso de Bauru. Outras paralisaram suas operações pela falta de demanda, o que pode levá-las, celeremente, ao regime falimentar.

Ao final da crise, que ninguém sabe quando ocorrerá, o setor de transporte coletivo terá sido um dos grandes afetados. A busca pelo objetivo de mobilidade urbana sustentável poderá sofrer um duro golpe "no fígado". A necessidade de distanciamento nos coletivos trará uma elevação substancial nos valores das tarifas, inviabilizando a sobrevivência do setor com o financiamento exclusivo pelos usuários, realidade prevalecente na maioria das cidades.

Enfim, o transporte coletivo precisa ser repensado, uma vez que ônibus, trens e metrôs com muita lotação, panorama registrado há anos no país, são propícios à disseminação do vírus. Para assegurar o necessário distanciamento, as tarifas poderão quase dobrar de valor. Muitos usuários migrarão para o exaurido transporte individual (carros e motos), enquanto que os demais poderão ter sua mobilidade totalmente inviabilizada.

Urge que medidas sejam planejadas e implantadas desde já para o enfrentamento dos hercúleos desafios propiciados pela pandemia.

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