São Paulo - O jornalista Gilberto Dimenstein morreu nesta sexta (29), aos 63 anos, vítima de um câncer de pâncreas, com metástase no fígado. Dimenstein morreu por volta das 9h, em casa, dormindo. Criador do site Catraca Livre, Dimenstein foi jornalista premiado e escreveu na Folha de S.Paulo por 28 anos, de 1985 a 2013. Também passou pela CBN, Jornal do Brasil, O Globo, Correio Braziliense, Última Hora, Veja e Revista Visão antes de se dedicar ao jornalismo de causas sociais.
Durante o tratamento contra o câncer Dimenstein definiu a clareza maior da morte como "uma dádiva". "Não é o fim, mas um começo", disse em relato à Folha sobre o diagnóstico da doença, recebido no ano passado. O texto com a visão otimista sobre a doença e a nova forma de viver a vida viralizou. Dimenstein desceu do trem de onde via uma paisagem borrada para escutar bem-te-vis e curtir o neto.
Em dezembro, o jornalista disse estar vivendo o momento mais feliz de sua vida. "Câncer é algo que não desejo para ninguém, mas desejo para todos a profundidade que você ganha ao se deparar com o limite da vida.
Filho de um pernambucano e de uma paraense, tem família judaica. Formou-se em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Ao fazer um balanço, Dimenstein avaliou ter feito o bem por praticar jornalismo de empoderamento. Ele dedicou a carreira a buscar, promover, fomentar, levantar recursos e dar visibilidade a projetos de inovação e de inclusão.
Na carreira de jornalista, Dimenstein recebeu diversos prêmios, inclusive o Prêmio Esso de 1988, na categoria principal, com a reportagem "A lista da fisiologia", que escreveu na Folha, sobre políticos intermediários de repasses para programas sociais, em esquema de tráfico de influência entre Executivo e Legislativo.